Venezuela: Detidos políticos contestam condições de prisão em Caracas

Lusa

Os presos do estabelecimento prisional venezuelano de El Helicoide estão, desde há 24 horas, em protesto, para denunciar alegadas violações dos direitos humanos, atrasos processuais, maus tratos e tortura de parte de funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN, serviços secretos).

Num vídeo divulgado através do Twitter, o ex-polícia e preso político Fred Mavares explica que os presos exigem a presença do Ministério Público (MP).

"Não negociaremos. Não falaremos com nenhum comissário do Sebin, mas diretamente com o MP", ouve-se no vídeo.

Mavares responsabiliza ainda as autoridades do Estado pelo que possa acontecer aos presos.

"Se ocorrer um massacre, responsabilizamos as autoridades do Estado, que estão fazendo caso omisso de todas as situações e aberrações que ocorrem aqui", explica.

Entretanto, num outro vídeo, um grupo de presos políticos pede a instalação de uma Comissão da Verdade para analisar todos os casos, "libertar quem tem ordem de libertação e levar ao hospital os que têm tiverem que ir ao hospital".

Concentrados junto ao estabelecimento, um familiar de um dos detidos disse à Agência Lusa que está preocupado com a integridade física dos presos.

Muitos dos detidos estão sem contacto com visitas desde há quase dois meses, uma situação que está a preocupar muitos familiares.

Também que os tribunais ordenaram que fossem libertadas, nalguns casos desde há quase dois anos, cujas ordens não são cumpridas pelos funcionários dos serviços secretos.

Alguns dos detidos deveriam, segundo o disposto por tribunais, estar em prisão domiciliária.

As fotos divulgadas pelas redes sociais, dão conta de que os detidos derrubaram as grades das celas.

Vários políticos venezuelanos e membros de organizações defensoras dos Direitos Humanos encontram-se na entrada de El Helicoide, de onde os familiares dizem não se moverão até saber a situação dos presos.

Segundo o deputado Renzo Prieto, entre os detidos no El Helicoide, cujo número não foi possível precisar, existem 18 presos políticos, cinco deles com ordens de libertação que não foram acatadas pelas autoridades.

Aos jornalistas, Yamileth Rojas, mãe do preso político Lorent Saleh, queixou-se de não conhecer o estado de saúde do filho e apelou à comunidade internacional para atuar, pedindo ao Parlamento Europeu que insista com as autoridades venezuelanas.

Lorent Saleh, dirigente da ONG Operação Liberdade, foi prémio Sakharov em 2017.