Programa Mundial de Alimentos pede medidas para apoiar imigrantes da Venezuela

Lusa

O diretor regional do Programa Mundial de Alimentos da ONU afirmou hoje que se os países latino-americanos não apoiarem a crise causada pela chegada de venezuelanos à Colômbia, a situação pode tornar-se pior do que na Síria.

“Os países da América Latina responderam com decência e responsabilidade, assumindo, cada um à sua maneira, o fluxo de imigrantes, mas transbordarão se não apoiarmos a causa", disse o peruano Miguel Barreto, em declarações à agência Efe.

O Programa Mundial de Alimentos anunciou na quinta-feira o lançamento de um projeto para atender 350.000 venezuelanos na região fronteiriça com a Colômbia.

Esta passagem de fronteira é atravessada diariamente por quase 35 mil venezuelanos, segundo dados da Migración Colombia, que estima que já existem 660 mil que se instalaram no país.

No entanto, muitos continuam o seu caminho para se estabelecerem em outros países latino-americanos.

Para Barreto, a crise migratória "em termos do número de fluxos de pessoas" pode "ultrapassar a da Síria, mas em outro contexto", já que neste caso não há um conflito armado como no país asiático.

A esse respeito, comentou que "não é uma crise convencional", porque não motivou muita atenção da opinião pública.

O mesmo responsável acredita que na região esqueceram "como esta crise interna na Venezuela está a causar uma crise regional", que acredita vai além "da questão da comida".

Miguel Barreto considerou que é necessário realizar uma conferência regional que permita a diferentes países "corroborar números, consultar mecanismos, soluções e eventualmente compromissos políticos, sociais e financeiros".

Barreto também fez um novo apelo ao Governo da Venezuela para permitir "apoiar a população do outro lado da fronteira".