EUA não descartam sancionar Rússia por envenenamento de ex-espião

Lusa

Os Estados Unidos não afastaram hoje a hipótese de sancionarem a Rússia pelo envenenamento, em Londres, do ex-espião duplo russo Serguei Skripal, atribuído ao Kremlin pela primeira-ministra britânica, Theresa May.

“Não hesitaremos em agir contra a Rússia sempre que seja necessário”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, em conferência de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre se o uso de um agente químico pelas autoridades russas poderá suscitar sanções semelhantes às impostas pelos Estados Unidos à Coreia do Norte pelo assassínio de Kim Jong-nam, irmão do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

A porta-voz admitiu que o envenenamento de Skripal e da filha, que foi o primeiro ataque com gás neurotóxico em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial, recorda “com certeza” o caso de Kim Jong-nam, pelo qual a Casa Branca sancionou Pyongyang a 06 de março deste ano.

Mas, apesar de a morte ter desencadeado sanções de forma automática, em virtude de uma lei de 1991 sobre o uso de armas químicas e biológicas, Nauert escusou-se hoje a precisar quando poderão ser tomadas medidas contra Moscovo pelo envenenamento de Skripal.

“O processo de sanções demora algum tempo, tem de se realizar uma investigação”, disse a porta-voz, embora insistindo que os Estados Unidos se manterão “firmes” ao lado do Reino Unido.

Esta afirmação contrasta, no entanto, com o facto de a própria Theresa May não só ter acusado diretamente o Kremlin de orquestrar o ataque, como ter já retaliado contra o Governo do Presidente Vladimir Putin, com a expulsão de território britânico de 23 diplomatas russos.

As declarações da porta-voz do Departamento de Estado norte-americano ocorreram apenas algumas horas depois de o Departamento do Tesouro ter imposto novas sanções a Moscovo por ingerência nas eleições presidenciais de 2016.

Estas novas sanções afetam cerca de 20 pessoas e entidades russas que, segundo Washington, interferiram através de ataques informáticos nos resultados das presidenciais de que saiu vencedor o atual inquilino da Casa Branca, Donald Trump.