Jornalista sino-norte-americano diz que autoridades chinesas raptaram a sua mulher

Lusa

Um jornalista sino-norte-americano que fez várias entrevistas ao bilionário chinês Guo Wengui, exilado nos Estados Unidos, disse hoje que a sua mulher foi raptada e é mantida em cativeiro pelas autoridades chinesas.

Chen Xiaoping, que vive em Nova Iorque e é editor no grupo de média em língua chinesa Media Mirror Group, disse à agência The Associated Press que o vídeo difundido esta semana, no qual a sua esposa denuncia o seu trabalho, foi filmado sob coação.

O jornalista afirma que o mesmo vídeo prova que a sua mulher está a ser mantida em cativeiro pelo Governo chinês.

Uma conta anónima publicou na segunda-feira um vídeo no YouTube, no qual a mulher de Chen, Li Huaiping, pede a este que pare de a procurar.

Li desapareceu no sul da China em setembro passado.

Guo Wengui, que fugiu da China e vive agora num apartamento de 68 milhões de dólares em Nova Iorque, difunde frequentemente comentários e vídeos, em que denuncia a corrupção de altos quadros do Partido Comunista Chinês e chineses a viver além-fronteiras, que diz serem parte de uma rede de espiões.

Guo surgiu várias vezes no programa de Chen, transmitido ao vivo pela Internet.

Em setembro, o jornalista recebeu da sua esposa, Li Huaiping, que continua a viver na China, uma mensagem a afirmar que estava "em problemas".

Desde então, Chen não voltou a ouvir nada da mulher, até que no domingo, num vídeo difundido no YouTube, esta explica que cortou todos os contactos com Chen, por "questões emocionais" e devido ao seu "trabalho no estrangeiro".

O vídeo surge um dia após Chen ter publicado na rede social Twitter uma carta aberta ao Presidente chinês, Xi Jinping, na qual apela à libertação da sua esposa.

"Nunca pensei que um vídeo fosse difundido logo após eu escrever a carta", disse Chen, citado pela AP.

"É evidente que a minha mulher foi raptada e que isso se deve ao meu trabalho", acrescentou.

Li, que parece estar a ler a partir de um texto preparado, pede ainda a Chen que pare de a procurar e falar em público por ela.

"Eles forçaram-na a fazer este vídeo", afirmou Chen.

Chen falou com funcionários do Congresso do Estados Unidos e do Departamento de Estado sobre o desaparecimento da sua esposa, que é residente permanente nos EUA, contou.

Chen tornou-se cidadão norte-americano em 2012 e casou com Li no ano seguinte.

A AP não conseguiu qualquer comentário das autoridades sobre o sucedido.

Em 2015, vários livreiros de Hong Kong que vendiam livros politicamente sensíveis desapareceram, após terem alegadamente sido sequestrados por agentes chineses, num caso que serviu de aviso a editores de conteúdo em língua chinesa em todo o mundo.

As autoridades chinesas acusam Guo Wengui de vários crimes, incluindo suborno, extorsão, rapto e violação.