Exército birmanês admite massacre de 10 rohingya

O exército birmanês admitiu hoje o envolvimento no massacre de dez rohingya e também reconheceu pela primeira vez a existência de uma fossa comum de membros desta minoria muçulmana no Estado Rakhine (norte).

"Habitantes da aldeia de Inn Din e membros das forças de segurança reconheceram ter morto dez terroristas bengalis", indicou o gabinete do chefe do exército no Facebook, numa referência aos acontecimentos de 2 de setembro no Estado de Rakhine.

A mensagem utiliza um termo pejorativo para designar os rohingyas, vítimas de uma tal campanha de repressão do exército birmanês que a ONU evocou uma operação de limpeza étnica.

A mensagem no Facebook também confirma pela primeira vez a existência de uma fossa de vítimas 'Rohingya' nesta região onde o exército lançou a campanha de repressão contra a minoria muçulmana,

Até agora, o exército birmanês negou sempre as acusações dos 'Rohingya', de massacres, violações e atos de tortura contra aquela comunidade.

A operação militar lançada pelo exército birmanês empurrou cerca de 655.000 'Rohingya' a fugirem para o vizinho Bangladech desde agosto passado.

Num país marcado por um forte nacionalismo budista, os muçulmanos 'Rohingya' representam a maior população apátrida do mundo desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, pelo regime militar.

Vítimas de discriminação, os 'Rohingya' não têm documentos de identidade e não podem viajar ou casar-se sem autorização, nem acesso ao mercado de trabalho nem aos serviços públicos como escolas e hospitais.