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Espanha: Protestos noturnos prosseguem frente à sede do PSOE em Madrid

JM-Madeira

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Data de publicação
19 Novembro 2023
11:15

Cerca de 1.500 pessoas, segundo fontes oficiais, continuavam na noite de hoje concentradas nas proximidades da sede do PSOE na rua Ferraz de Madrid, em protesto contra a lei de amnistia, no 16º dia de protestos.

Grupos de encapuçados assumiram pelas 22.30 locais (21:30 em Lisboa) a frente do protesto, entoando o hino franquista "Cara al sol", tentando derrubar as barreiras policiais e lançando garrafas e latas contra as forças policiais.

Dois manifestantes foram detidos pela polícia e enviados para uma esquadra local, indicou a agência noticiosa Efe.

Os contestatários emitiram insultos ao primeiro-ministro Pedro Sánchez, ao ministro do Interior em funções, Fernando Grande-Marlaska, para além de palavras de ordem como "Arriba España" ou "Dónde están los Borbones?", numa referência ao rei Filipe

No final da manhã de hoje, Madrid voltou a ser o palco de uma manifestação contra a amnistia de independentistas catalães que mobilizou 170 mil pessoas, segundo números das autoridades, com os organizadores a reivindicarem um milhão.

A manifestação foi convocada por uma plataforma de entidades da sociedade civil e contou com o apoio do Partido Popular (PP, direita) e do Vox (extrema-direita), a primeira e a terceira forças no parlamento de Espanha, respetivamente.

No domingo passado, manifestações convocadas pelo PP em 52 cidades mobilizaram dois milhões de pessoas, segundo o partido, e 450 mil, segundo as autoridades.

Além disso, tem havido manifestações diárias, à noite, em frente da sede nacional do PSOE, em Madrid, convocadas nas redes sociais.

Estas manifestações, apoiadas pelo Vox, mas de que se demarca o PP, já acabaram por diversas vezes com distúrbios e cargas policiais e têm também ficado marcadas por símbolos, cânticos e gestos fascistas e da ditadura espanhola de Francisco Franco.

A proposta de lei de amnistia foi entregue no parlamento na segunda-feira passada pelo PSOE e resulta de acordos com dois partidos catalães que em troca viabilizaram, na quinta-feira, um novo Governo de esquerda em Espanha, liderado por Pedro Sánchez, na sequência das eleições legislativas de 23 de julho.

A direita espanhola considera que a amnistia de políticos catalães que protagonizaram a tentativa de autodeterminação da Catalunha em 2017 pode constituir um ataque ao estado de direito e ao princípio da separação de poderes, num alerta que também já fizeram associações de juízes e procuradores.

O PSOE sublinha que a amnistia já foi considerada legal pelo Tribunal Constitucional espanhol em 1986, que já foi aplicada em Espanha em 1976 e 1977 e está também "perfeitamente homologada" nas instâncias europeias e pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Os socialistas defendem que esta amnistia devolve um conflito político à esfera política e servirá para recuperar a convivência entre catalães e entre a Catalunha e o resto de Espanha depois da fratura de 2017.

Lusa

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