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Israel: Marcelo chocado com explosão em hospital recomenda silêncio e diplomacia

JM-Madeira

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Data de publicação
18 Outubro 2023
15:31

O Presidente da República declarou-se hoje chocado com o bombardeamento de um hospital em Gaza, tenha sido intencional ou não, mas escusou-se a apontar responsáveis, recomendando mais silêncio e diplomacia perante o conflito entre Israel e Hamas.

"Não me vou pronunciar sobre essa matéria, primeiro, porque não tenho elementos, segundo, porque não devo pronunciar-me sobre essa matéria. Há instâncias diversas internacionais e depois há diligências nacionais múltiplas", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em reposta aos jornalistas, em Namur, durante a sua visita de Estado à Bélgica.

O chefe de Estado defendeu que "este é o momento de fazer tudo para que verdadeiramente haja futuro numa situação e numa região que tem sofrido muito ao longo do tempo" e que "isso ganha com o silêncio, com a diplomacia, se possível, mais do que com o falar publicamente na matéria".

Interrogado sobre o apelo do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para que haja um cessar-fogo no conflito entre Israel e o Hamas, Marcelo Rebelo de Sousa disse apenas que compreende a posição de António Guterres, sem a subscrever.

"Eu queria dizer só sobre isso é que compreendo perfeitamente a posição do secretário-geral das Nações Unidas, porque está, no exercício do seu mandato, preocupado com a situação", respondeu, acrescentando: "É um apelo perfeitamente compreensível, porque corresponde ao que tem sido a linha orientadora da sua atuação em diversas situações no mundo".

Sobre a explosão de terça-feira no Hospital Al-Ahli, na Cidade de Gaza, o Presidente da República considerou que "chocou a todos, e provavelmente foi um choque universal", lamentando as numerosas vítimas civis.

"O nosso primeiro pensamento vai para as vítimas daquilo que ocorreu, como foi, por exemplo, quando também aconteceram bombardeamentos a estabelecimentos de saúde com vítimas civis na Ucrânia", referiu.

Marcelo Rebelo de Sousa tinha ao seu lado o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que hoje apontou como "uma ideia bastante consolidada" a atribuição desta explosão a um míssil da Jihad Islâmica.

Confrontado com esta posição do Governo português e de outros governos, o chefe de Estado reiterou: "Eu, como digo, não queria pronunciar-me sobre isso".

"Eu disse cuidadosamente que há atuações intencionais e outras não intencionais que podem ter determinadas consequências. Para já, eu só me pronunciei sobre o lado humanitário da questão", frisou.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, enclave controlado pelo Hamas, culpou as Forças Armadas de Israel por este ataque.

Israel negou a responsabilidade pelo ataque e atribuiu a explosão a um disparo falhado do grupo Jihad Islâmica.

Questionado se partilha a opinião do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, de que o cerco total a Gaza, incluindo o corte de abastamento de água, viola o direito internacional humanitário, Marcelo Rebelo de Sousa recusou fazer comentários.

"A União Europeia vai intervindo através dos seus responsáveis cimeiros. A nossa orientação deve ser a de querer o máximo de unidade naquilo que é a posição da União Europeia. E quando ela fala, e depois da participação intensa que Portugal sempre tem tido na tomada de orientações ou decisões no quadro europeu, Portugal está solidário", declarou.

LUSA

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