Fome declarada em partes do estado de Unidade do Sudão do Sul

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A prolongada guerra civil no Sudão do Sul e a profunda crise económica que devastou o país levaram a que fosse declarada uma situação de fome em dois condados.

A classificação oficial de fome destaca o sofrimento humano causado pela guerra civil de três anos no Sudão do Sul, e surge numa altura em que o Presidente Salva Kiir continua a bloquear o acesso de ajuda alimentar a algumas áreas, de acordo com dirigentes da ONU.

Mais de 100 mil pessoas em dois condados do estado de Unidade sofrem de fome e há receio que esta se espalhe, com mais um milhão de pessoas à beira da fome, segundo um relatório do governo do Sudão do Sul e de três agências da ONU.

“Os nossos maiores receios tornaram-se realidade”, disse Serge Tissot, chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla inglesa) no Sudão do Sul. Segundo Tissot, a guerra perturbou o país fértil, fazendo com que os civis tivessem de depender de “quaisquer plantas que consigam encontrar e peixe que consigam apanhar”.

Cerca de 5,5 milhões de pessoas, ou perto de 50% da população, sofre de insegurança alimentar severa e corre risco de morte nos próximos meses, indica o relatório, acrescentando que quase três quartos de todos os agregados familiares no país têm alimentação desadequada.

Se a ajuda alimentar não chegar urgentemente às crianças “muitas delas vão morrer”, disse Jeremy Hopkins, chefe da agência para as crianças da ONU no país. Mais de 250 mil crianças sofrem de malnutrição severa, o que significa que correm risco de morte.

Não é a primeira vez que o Sudão do Sul experiencia fome. Quando lutou pela independência do Sudão, em 1998, o território sofreu de uma fome gerada pela guerra civil. Entre 70 mil e centenas de milhares de pessoas morreram. Mas a declaração de fome de hoje é uma criação unicamente do Sudão do Sul, e a ONU culpa os políticos do país pela crise humanitária.

“Esta fome é feita pelo homem. Há um limite para o que a assistência humanitária pode conseguir na ausência de significativa paz e segurança”, disse Joyce Luma, líder do World Food Program no Sudão do Sul.