Ucrânia: Itália aprova prolongar envio de armas para o país durante 2023

LUSA

O parlamento italiano aprovou hoje a prorrogação durante 2023 do envio de material militar para a Ucrânia poder defender-se da ofensiva russa, após validar o decreto-lei aprovado em dezembro passado pelo Governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.

A Câmara de Deputados deu ‘luz verde’ ao decreto com 215 votos a favor e 46 contra, do Movimento Cinco Estrelas (M5S), da Aliança Verde-Esquerda e do deputado Paolo Ciani, do progressista Partido Democrata (PD), que não seguiu a linha de voto da sua formação, segundo a imprensa italiana.

O texto, que autoriza o envio de “meios, materiais e equipamentos militares” para a Ucrânia e mantém os “termos” e “modalidades” estabelecidos pelo anterior executivo, liderado por Mario Draghi, e expirou em finais de 2022, já tinha sido aprovado pelo Senado, pelo que se transformou em lei.

Trata-se do sexto envio para a Ucrânia de equipamento militar por parte de Itália que, desde o início da guerra naquele país, invadido a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia, tem criticado duramente o Presidente russo, Vladimir Putin, e mostrado um firme apoio ao chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, tanto enquanto liderada pelo Governo de Draghi como pelo de Meloni.

Meloni, líder do partido de extrema-direita Irmãos de Itália (FdI), anunciou até a intenção de se deslocar à Ucrânia no próximo mês e convidou Zelensky a visitar Itália, insistindo sempre no apoio de Roma a Kiev no âmbito “político, militar, económico e humanitário”.

A aprovação desta prorrogação da ajuda italiana coincide com a polémica causada pelo atraso na decisão da Alemanha sobre o envio de tanques de guerra Leopard 2 para a Ucrânia, embora hoje o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, tenha declarado esperar que a posição alemã seja conhecida “em breve”, indicando, ao mesmo tempo, que a revisão dos inventários e disponibilidade deste tipo de tanques está quase concluída.

No caso de Itália, o atraso da aprovação do decreto deveu-se a “problemas técnicos” no sistema antiaéreo entregue a Kiev, disse recentemente o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, rejeitando que tal tenha tido alguma coisa que ver com divergências sobre a matéria dentro da coligação governamental de direita, que inclui, além dos FdI, a Liga, de Matteo Salvini, e o Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi.

De acordo com alguns meios de comunicação social italianos, o atraso no novo envio deveu-se a tensões políticas na aliança no poder, além de outras considerações sobre custos e falta de material militar.

A aprovação parlamentar do decreto sobre o quinto envio de armas para a Ucrânia foi o detonador, em julho passado, da queda de Draghi, uma vez que três das forças mais importantes da sua maioria de Governo lhe retiraram o apoio: o M5S, de Giuseppe Conte, a Liga e o FI.

Agora, Salvini e Berlusconi, considerados no passado pró-russos, apoiaram o prolongamento do envio de ajuda à Ucrânia, que foi aprovada com a unanimidade do executivo de Meloni.

A ofensiva militar lançada em fevereiro do ano passado pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e quase oito milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa – justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 335.º dia, 7.068 civis mortos e 11.415 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.