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Suicídio de adolescente britânica atribuído a conteúdos de redes sociais

JM-Madeira

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Data de publicação
30 Setembro 2022
16:57

O suicídio de uma adolescente britânica em 2017 foi hoje considerado o resultado dos "efeitos negativos de conteúdo" disponível nas redes sociais por um magistrado após um inquérito judicial.

"Ela morreu de um ato de automutilação enquanto sofria de depressão e dos efeitos negativos de conteúdo online", declarou o ‘coroner’ Andrew Walker durante a conclusão do inquérito que durou cerca de 10 dias no Tribunal do ‘Coroner’ do Norte de Londres (North London Coroner's Court).

No Reino Unido é realizado um inquérito judicial conduzido por um ‘coroner’, que pode ser um jurista ou um médico, sempre que uma morte não tem causas naturais.

As imagens e vídeos sobre suicídio e lesões autoinfligidas vistas pela jovem de 14 anos Molly Russell em redes sociais, sobretudo Instagram e Pinterest, "não eram seguros" e "não deviam estar disponíveis para uma criança ver", disse Walker.

O funcionamento de algoritmos, que tendem a oferecer aos utilizadores conteúdos semelhantes ao que viram anteriormente, insistiu, "teve certamente um efeito negativo na Molly".

Durante as audiências, representantes da Pinterest e Meta (proprietária do Facebook e Instagram) lamentaram a morte da rapariga, reconhecendo que ela tinha acedido a conteúdos que não deveria ter visto, mas defenderam os esforços para moderar os conteúdos colocados nas suas plataformas.

Porém, os pais de Molly Russell e outras organizações querem que as redes sociais sejam mais responsabilizadas, substituindo o modelo atual de auto-regulação.

Uma proposta de lei para a "segurança online", que supostamente estabelece um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a protecção dos utilizadores, particularmente menores, está atualmente a ser debatida pelo parlamento britânico.

A nova primeira-ministra, Liz Truss, disse no primeiro debate com deputados, no início de setembro, que pretendia continuar a avançar com a legislação.

"Já passaram quase cinco anos desde que Molly morreu e ainda estamos à espera da legislação governamental prometida. Não podemos esperar mais; não visem a perfeição, demasiadas vidas estão em risco. A estrutura reguladora pode ser aperfeiçoada nos próximos meses e anos", urgiu a Fundação Molly Rose, criada pela família em memória da adolescente.

Também a Associação Nacional para a Prevenção da Crueldade para com as Crianças britânica (National Society for the Prevention of Cruelty to Children, NSPCC) considerou este um "ponto de viragem" e considerou "inconcebível" qualquer atraso ou diluição da proposta de lei.

Lusa

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