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Putin sublinha opção "inequívoca" da população após referendos

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Data de publicação
30 Setembro 2022
15:00

O Presidente russo, Vladimir Putin, sublinhou hoje que os habitantes das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson efetuaram uma opção "inequívoca" para se unirem à Rússia e assegurou que serão protegidos por "todos os meios necessários".

"É uma decisão inequívoca", disse Putin num discurso prévio à assinatura dos tratados de anexação de quatro províncias ucranianas na Sala de São Jorge no Grande Palácio do Kremlin (sede da Presidência russa), após a realização de referendos denunciados por Kiev e pelos países ocidentais.

Kiev, Estados Unidos e os seus aliados ocidentais condenaram veementemente os referendos, que classificaram como uma "farsa", e afirmaram que não vão reconhecer a anexação dos territórios.

"Os habitantes de Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporijia vão tornar-se cidadãos russos para sempre", garantiu o Presidente perante a elite política do país.

"As pessoas votaram pelo nosso futuro comum", acrescentou Putin, que também exortou a Ucrânia a "terminar imediatamente as hostilidades".

"Apelamos ao regime de Kiev para um cessar-fogo imediato, para que termine todas as hostilidades e regresse à mesa das negociações", indicou no discurso perante o Governo, os deputados e senadores, e outros representantes do Estado russo.

O chefe de Estado russo frisou que as atuais autoridades de Kiev "devem respeitar a livre expressão da vontade popular" e considerou que esta opção "é a única via para a paz".

Num discurso que se prolongou por cerca de 40 minutos, Putin acusou o Ocidente de pretender tornar a Rússia numa "colónia" e assegurou que Moscovo "não aspira" à restauração da antiga União Soviética.

"O Ocidente está disposto a tudo para preservar o sistema neocolonial que lhe permite parasitar e, na realidade, de pilhar o mundo inteiro. Querem ver-nos como uma colónia", denunciou.

Perante a elite política e militar que enchia a ampla sala, Putin também assegurou que o seu país "não aspira" a restaurar a ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), apesar da ofensiva na Ucrânia.

"A URSS desapareceu, o passado não pode ser recuperado. E a Rússia não necessita disso hoje. Não aspiramos a isso", declarou.

Nas suas declarações, muito críticas em particular face aos Estados Unidos, Putin também acusou os ocidentais de estarem na origem das "explosões" que provocaram fugas importantes nos gasodutos Nord Stream 1 e 2, construídos para transportar gás russo em direção à Europa.

"Ao organizarem as explosões nos gasodutos internacionais que atravessam o fundo do Mar Báltico, começaram na realidade a destruir a infraestrutura energética europeia", denunciou, ao atribuir esta "sabotagem" aos "anglo-saxónicos".

Nesta lógica, o líder do Kremlin também acusou o Ocidente de destruir os Estados que não pretendem ceder a sua soberania.

"Para eles, é fundamental que todos os países cedam a sua soberania aos Estados Unidos", declarou.

"Enquanto as cúpulas de alguns Estados aceitam voluntariamente o papel de vassalos, outros compram, amedrontam, e se isso não funciona, destroem Estado inteiros, deixando atrás de si catástrofes humanitárias, desastres, ruínas e milhões de destinos humanos alterados e destruídos", prosseguiu.

O Presidente russo acusou ainda o Ocidente de pretender a privação total e absoluta da soberania dos povos.

"É daí que provém a sua agressividade contra os Estados independentes, os valores tradicionais e as cultuas autóctones", concluiu.

Décio Ferreira

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