PR chinês critica uso de sanções unilaterais na abertura da cimeira dos BRICS

LUSA

O Presidente chinês disse hoje que o mundo devia opor-se às sanções unilaterais e aos esforços de alguns países para manterem o seu poder político e militar, na abertura da cimeira do bloco de economias emergentes BRICS.

Os comentários de Xi refletem o apoio tácito da China à Rússia acerca da guerra na Ucrânia e o seu desejo de formar uma aliança internacional contrária à ordem democrática liberal liderada pelos Estados Unidos.

A 14.ª cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) começou hoje, em Pequim, num período de crescente polarização nas relações internacionais.

As nações devem “rejeitar a mentalidade da Guerra Fria e o confronto entre blocos, opor-se a sanções unilaterais e abuso de sanções e rejeitar os pequenos círculos, construídos em torno do hegemonismo, formando antes uma grande família, parte de uma comunidade com um futuro compartilhado pela humanidade”, disse Xi, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua.

A China recusou-se a condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia, desencadeada a 24 de fevereiro, e criticou a imposição de sanções contra Moscovo. A Índia comprou grandes quantidades de petróleo russo, abaixo do preço de mercado, e a África do Sul absteve-se numa votação das Nações Unidas de condenação às ações da Rússia.

O bloco BRICS ganhou expressão em 2001, quando o economista Jim O'Neill, da Goldman Sachs, publicou um estudo intitulado "Building Better Global Economic BRICs", sobre as grandes economias emergentes.

O grupo reuniu-se pela primeira vez em 2009 e logo estabeleceu uma agenda focada na reforma da ordem internacional, visando maior protagonismo dos países emergentes em organizações como as Nações Unidas, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional. O bloco passou a incluir a África do Sul no ano seguinte.

Na visão de Pequim e Moscovo, a ascensão dos BRICS ilustra a emergência de "um mundo multipolar", expressão que concentra a persistente oposição dos dois países ao "hegemonismo" ocidental e em particular dos Estados Unidos.

Num discurso no Fórum Económico dos BRICS, realizado na quarta-feira, o líder chinês disse que o conflito na Ucrânia “soou um alarme para a humanidade”.

Xi disse que a imposição de sanções poderia funcionar como um “bumerangue” e uma “espada de dois gumes” e que a comunidade global sofreria com a “politização, mecanização e utilização beligerante” das tendências económicas globais e dos fluxos financeiros.

“A globalização económica é um requisito objetivo para o desenvolvimento das forças produtivas e uma tendência histórica irresistível”, disse Xi.