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Nuclear: Irão alerta para riscos de aprovação de resolução contra Teerão

JM-Madeira

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Data de publicação
06 Junho 2022
16:21

O Irão alertou hoje o Conselho de Governadores da agência atómica da ONU para os riscos de ser aprovada uma resolução crítica sobre Teerão, alegando que teria "um impacto negativo nas negociações para recuperar o acordo nuclear".

O Conselho de Governadores da agência atómica da ONU discutiu hoje um projeto de resolução dos países ocidentais que obriga o Irão a restaurar o acordo nuclear de 2015.

O texto analisado na Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) - que foi elaborado pelos Estados Unidos e pelo E3 (Reino Unido, França e Alemanha) - pede a Teerão para que "coopere plenamente" com a organização nas negociações de recuperação do acordo, que estão paralisadas há alguns meses.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Said Khatibzade, avisou para os riscos desta proposta vir a ser aprovada na AIEA.

"Acreditamos que esta ação (a resolução) terá um impacto negativo tanto na nossa cooperação geral com a AIEA como nas negociações do tratado nuclear", disse Khatibzade, referindo-se às conversações em Viena para tentar salvar o acordo nuclear.

O Irão tem vindo a libertar-se desde 2019 dos compromissos inscritos no acordo nuclear de 2015, na sequência da saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, em 2018. Entre outras infrações do pacto, Teerão aumentou a produção de urânio enriquecido.

"Não vamos antecipar a análise do resultado da reunião, mas responderemos na medida do que acontecer", disse o porta-voz, manifestando esperança de que os países membros da AIEA não votem favoravelmente a resolução do E3.

Num recente relatório, a AIEA denunciou a ausência de respostas "satisfatórias" e "tecnicamente credíveis" do Irão sobre vestígios de urânio enriquecido encontrados em três locais não declarados no país.

Khatibzade criticou este relatório, observando que dá a entender que o diretor-geral da AIEA "já tinha decidido que o relatório teria uma posição específica" e denunciando que "há vestígios do regime sionista no relatório", referindo-se a Israel.

"Pedimos a todos os membros do Conselho de Governadores que estejam atentos às intenções do regime sionista", avisou.

"Aqueles que apresentam uma resolução anti-Irão terão de arcar com as consequências", dissera já no domingo o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Hossein Amir-Abdollahian, numa mensagem na sua conta da rede social Twitter.

As negociações para recuperar o acordo de 2015 começaram em abril de 2021 em Viena. O objetivo é que os Estados Unidos voltem ao pacto e que o Irão recomece a cumprir os seus compromissos.

Para já, as negociações estão paralisadas também devido à recusa do Presidente norte-americano, Joe Biden, em ceder a uma exigência de Teerão: a retirada da Guarda Nacional do Irão da lista negra norte-americana de "organizações terroristas".

Lusa

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