Ex-presidente da África do Sul autorizado a sair da cadeia

O ex-Presidente sul-africano Jacob Zuma, preso na África do Sul desde 08 de julho, foi autorizado a acompanhar hoje o funeral do irmão mais novo, Michael Zuma, em Nkandla, leste do país, anunciou o governador provincial.

“Julgo que devemos aplaudir o Departamento de Serviços Correcionais por garantir que ele participasse no funeral do seu irmão mais novo”, declarou Sihle Zikalala à televisão pública sul-africana SABC no final da cerimónia fúnebre privada que se realizou na área rural de Nkandla.

Além de governador do KwaZulu-Natal, Sihle Zikalala é também presidente provincial do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), o partido no poder na África do Sul desde 1994.

O porta-voz dos serviços prisionais, Singabakho Nxumalo, disse que Zuma foi autorizado a sair por 24 horas do estabelecimento prisional de Estcourt, situado a cerca de 150 quilómetros da sua residência, em Nkandla, onde cumpre pena de prisão desde 08 de julho.

“A autorização concedida ao Sr. Zuma é para 22 de julho de 2021 (…) Como recluso classificado de baixo risco e de curto prazo, o pedido de licença compassiva do Sr. Zuma foi processado e aprovado, de acordo com as prescrições dos Serviços Correcionais”, disse Nxumalo à televisão pública sul-africana.

Michael Zuma morreu aos 77 anos de doença prolongada, segundo a imprensa local.

A província do KwaZulu-Natal, no litoral do país, foi das mais atingidas na semana passada durante os tumultos violentos e pilhagens no país, desencadeados após a prisão de Jacob Zuma, minutos antes da meia-noite de 07 de julho, que provocaram pelo menos 337 mortos, segundo dados oficiais.

Pelo menos 40 mil empresas foram saqueadas, queimadas e vandalizadas, entre os quais uma centena de grandes negócios portugueses no ramo alimentar, devido aos motins, que o Governo sul-africano estima que custará à economia cerca de três milhões de euros.

O antigo chefe de Estado sul-africano foi condenado a 15 meses de prisão por desrespeitar a ordem do Tribunal Constitucional, a mais alta instância judicial do país, para comparecer perante a comissão que investiga alegações de grande corrupção no Estado sul-africano durante o seu mandato presidencial de 2009 a 2018.

Zuma, de 79 anos, enfrenta ainda um caso com 20 anos na Justiça por fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão, relacionado com a compra de equipamento militar a cinco empresas de armamento europeias, em 1999, quando era vice-Presidente do país.