Vice-primeiro-ministro checo acusado de plano para encobrir escândalo de espiões

Lusa

O vice-primeiro-ministro e ministro do Interior da República Checa, Jan Hamacek, terá planeado encobrir o escândalo dos espiões russos em troca da vacina Sputnik, afirmou hoje o portal checo de investigação Seznam Zpravy.

De acordo com a mesma fonte, citada pela agência noticiosa espanhola EFE, Hamacek propôs realizar o plano numa viagem a Moscovo que tinha prevista para 17 de abril, quando ocupava interinamente a pasta da diplomacia checa.

No entanto, nesse dia foi cancelada a visita anunciada, que tinha como objetivo oficial negociar a compra de um milhão de doses da vacina russa contra a covid-19 Sputnik.

Poucas horas depois, Hamacek e o primeiro-ministro, Andrej Babis, anunciaram a expulsão de 18 diplomatas da embaixada da Rússia na República Checa, responsabilizando Moscovo pela “sabotagem” de um depósito de munições no país em 2014. A explosão em causa matou duas pessoas.

O Kremlin rejeitou as acusações e em represália expulsou 20 diplomatas checos.

O portal Seznam Zpravy afirma que Hamacek já conhecia a 15 de abril os resultados da investigação à explosão no paiol de Vrbetice (leste) e que abordou o assunto numa reunião com vários altos funcionários.

Nesse encontro, o então chefe da diplomacia checa partilhou a intenção de oferecer ao Kremlin o silêncio da participação de espiões russos na explosão em troca da vacina contra a covid-19, adianta.

Também pediria para Praga acolher a futura cimeira entre os Presidentes russo, Vladimir Putin, e norte-americano, Joe Biden, segundo o portal, que cita como fonte um dos participantes na reunião.

Hamacek pretenderia evitar a crise diplomática que acabou por ocorrer e que é a mais grave jamais ocorrida entre os dois países, mas alguns participantes na reunião rejeitaram o plano e desaconselharam o governante a viajar para Moscovo, ainda segundo o portal.

O vice-primeiro-ministro já rejeitou as acusações, informou a Radio Praga.

“O artigo é baseado em especulações e mentiras, que nenhum dos participantes (na reunião) confirmou ou pode confirmar porque não foi assim”, disse Hamacek num comunicado.

A oposição checa também já reagiu à investigação do portal e pediu a demissão imediata do ministro, segundo a EFE.