RDCongo: Ataque de grupo armado fez pelo menos 21 mortos

Lusa

Pelo menos 21 pessoas morreram num novo ataque dos rebeldes ugandeses das Forças Democráticas Aliadas (ADF) na região de Beni, no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), disse hoje o administrador da região.

Os homens das ADF atacaram primeiro uma posição ocupada pelos Mai-Mai, uma milícia de autodefesa, antes de "atacar os habitantes" da aldeia de Lisasa.

"O número atual, ainda provisório, é de 21 mortos", disse à agência de notícias francesa AFP Donat Kibwana, administrador territorial de Beni, no Kivu do Norte.

Esta avaliação provisória foi confirmada pelo chefe do setor Buliki, onde está localizada a aldeia de Lisasa.

Segundo o Centro de Estudos para a Promoção da Paz, Democracia e Direitos Humanos (Cepadho), uma organização não-governamental (ONG) local, das 21 pessoas mortas, 15 são mulheres.

As três fontes dizem que várias pessoas foram sequestradas e estão desaparecidas, um centro de saúde foi saqueado, casas incendiadas e uma igreja católica profanada.

As ADF são rebeldes ugandeses muçulmanos instalados no leste da RDC desde 1995 e vivem do tráfico na densa floresta ao redor de Beni, onde se estabeleceram.

São acusados do massacre de mais de mil civis na região desde outubro de 2014. Desde novembro de 2019, o grupo rebelde matou centenas de civis em retaliação a uma ofensiva do exército contra as suas bases e líderes na floresta de Beni.

As ADF nunca reclamaram qualquer ação em solo congolês, mas desde abril de 2019, vários dos seus ataques foram reivindicados pelo "Estado Islâmico - África Central", às vezes com erros factuais.

Na quinta-feira, 19 civis foram mortos num ataque atribuído aos rebeldes das ADF na cidade de Baet, durante o qual cerca de 40 casas e uma igreja foram incendiadas.

O ataque foi assumido na sexta-feira pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), através do seu órgão de propaganda, tal como já havia feito em 21 de outubro contra uma prisão em Beni, que resultou na fuga de várias centenas de detidos.

Durante quase três décadas, o leste da RDCongo tem vivido uma onda de violência, com várias dezenas de grupos armados locais e estrangeiros a atacar civis ou a entrar em confronto com as forças regulares por razões étnicas, territoriais ou económicas.