Deputados e ativistas pedem investigação a Bolsonaro por declaração homofóbica

Lusa

Deputados brasileiros e ativistas pediram na sexta-feira à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão a abertura de uma investigação contra o Presidente, Jair Bolsonaro, por uma declaração de cariz homofóbico.

O pedido foi entregue por deputados do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ativistas de direitos humanos e da comunidade LGBT (sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros), e endereçada ao procurador Carlos Alberto Vilhena, do Ministério Público Federal.

Em causa está uma declaração feita por Jair Bolsonaro na quinta-feira, no estado do Maranhão (nordeste), ao tomar uma bebida tradicional local, denominada "guaraná Jesus", de tonalidade cor-de-rosa.

"Agora virei ‘boiola’ [termo pejorativo em referência aos homossexuais], igual ao 'maranhense', é isso? O guaraná cor-de-rosa do Maranhão, quem toma esse guaraná vira maranhense. Guaraná cor-de-rosa no Maranhão, que 'boiolagem' isso aqui", disse o chefe de Estado, entre risos.

Os deputados da oposição e os ativistas pedem agora a investigação do caso e a aplicação de sanções por suposto crime de responsabilidade.

De acordo com o documento, citado pelo portal de notícias G1, a atitude do chefe de Estado "fere os limites da liberdade de expressão e incentiva o ódio, o preconceito e a discriminação contra os homossexuais e toda a comunidade LGBTI+".

"Em termos de extensão do dano, lembre-se que o representado é o Presidente da República, tendo assim utilizado o seu cargo e a sua voz para propagar verdadeiro discurso de inferioridade (racista), neste caso, contra os homossexuais e contra o povo do estado do Maranhão", acredita o texto.

Ainda na noite de quinta-feira, Bolsoanro aproveitou a sua habitual transmissão em direto na rede social Facebook para se desculpar pela sua polémica declaração.

"Pessoal, fiz uma brincadeira. Se alguém se ofendeu, me desculpa aí, do Guaraná Jesus, tendo em vista a cor dele, cor-de-rosa [...]. Estou com a camisa do Sampaio Corrêa [clube de futebol maranhense], em homenagem ao estado do Maranhão, onde fui tratado de forma muito carinhosa, estou muito feliz, estou emocionado, mando um abraço a todos os maranhenses", disse o mandatário.

Jair Bolsonaro acumula declarações polémicas em torno da temática da homossexualidade ao longo de toda a sua carreira política.

Um desses exemplos ocorreu em setembro 2011, em entrevista à revista Playboy, quando o atual chefe de Estado brasileiro declarou que preferia ver um filho seu morto do que a assumir a homossexualidade, o que gerou controvérsia, principalmente durante a corrida às presidenciais de 2018.