Seis acusados na tentativa de rapto de governadora democrata do Michigan

Lusa

A Justiça dos Estados Unidos da América (EUA) acusou seis pessoas de planearam a tentativa de sequestro da governadora do Michigan, a democrata Gretchen Whitmer, plano que foi equacionado durante vários meses e que até teve ensaios.

De acordo com a Associated Press (AP), um tribunal federal acusou seis pessoas de conspirarem o rapto da governadora, na sequência daquilo que consideraram ser o “poder incontrolável” de Gretchen Whitmer. Paralelamente, sete pessoas associadas a um grupo paramilitar denominado “Wolverine Watchmen”, que alegadamente planeavam uma “guerra civil” e a conquista do Michigan.

Os dois grupos treinaram juntos e planearam “vários atos de violência”, dá conta uma declaração das autoridades norte-americanas.

Fonte do Departamento Federal de Investigação dos EUA (FBI, na sigla inglesa) disse que chegaram a decorrer ensaios para o sequestro da senadora democrata em agosto e setembro, e quatro dos seis acusados tinham planeado um encontro na quarta-feira para “fazer o pagamento de explosivos e trocar o equipamento tático”.

Gretchen Whitmer “não tem quaisquer pesos e contrapesos. Ela tem poder incontrolável. Todas as coisas boas têm de acabar”, terá dito um dos suspeitos citado pelo FBI.

As autoridades acrescentam que este plano foi interrompido devido ao trabalho de agentes infiltrados e informadores. Os seis homens foram detidos na noite de quarta-feira.

Se foram declarados culpados, os seis homens poderão ser sentenciados a 20 anos de prisão.

A senadora democrata Gretchen Whitmer considera que esta tentativa de sequestro poderá ter sido indiretamente influenciada pelo Presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump.

Whitmer disse que o chefe de Estado norte-americano passou os últimos sete meses da pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus “a negar a ciência, a ignorar os seus próprios especialistas de saúde, acumulando desconfiança, fomentando a raiva e a dar conforto aos que propagam medo e ódio e divisão”.

Numa alusão à postura de Trump de não condenação dos grupos de extrema-direita durante o primeiro debate entre os dois candidatos à Casa Branca, a senadora foi mais longe nas críticas.

“Os grupos de ódio ouviram as palavras do Presidente não como uma reprimenda, mas como um grito de guerra. Quando os nossos líderes falam, as suas palavras importam. Carregam um peso. Quando os nossos líderes se encontram, encorajam ou confraternizam com terroristas domésticos, legitimam as suas ações e são complacentes”, disse a senadora do Michigan.