Educação - Santa Cruz: "Temos de distinguir o que é avaliar para a aprendizagem e avaliar a aprendizagem"

Marco Milho

Ariana Cosme, professora na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação na Universidade do Porto, foi a primeira oradora do VI Encontro de Educação, que decorre ao longo desta terça-feira em Santa Cruz.

Também consultora do Ministério da Educação para o programa de implementação do novo modelo de autonomia e flexibilidade curricular na escola, Ariana Cosme destacou a necessidade de evoluir na educação, sobretudo através da implementação de novas soluções no programa curricular.

Aludindo a um cenário de desmotivação de alguns alunos, e de programas e métodos de avaliação desajustados, a docente afirmou que a escola não deve “substituir o olhar”, mas ajudar os alunos a olhar. “É uma escola mais difícil, mas muito mais desafiante.”

Os fatores socioeconómicos determinantes no sucesso dos alunos, o ensino centralizado no professor, alunos desmotivados, ou programas demasiado extensos, são alguns dos aspetos elencados por Ariana Cosme.

“Os programas não ajudam, são herdeiros de uma escola elitista, e alunos desmotivados entram mais tarde em projetos destes”, afirmou.

Mostrando-se favorável à adoção de novas tecnologias e ferramentas na escola, Ariana Cosme alertou, no entanto, que “não basta pôr novas ferramentas, é preciso que acompanhem um novo modelo de escola”.

“O projeto de uma escola para todos obriga a equidade e não igualdade”, disse. “Os alunos são todos diferentes. Temos alunos muito competentes a marcar passo e outros que têm dificuldade em aguentar o ritmo. Temos de romper com o projeto de avaliação e distinguir o que é avaliar para a aprendizagem e avaliar a aprendizagem. Em Portugal temos por tradição misturar tudo.”