Escola de Câmara de Lobos: "Um lugar sem corrupção nem preconceito"

Cláudia Ornelas

É a primeira vez que a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos do Estreito de Câmara de Lobos participa no projeto ‘IncluEuropa’, nomeadamente na iniciativa das ‘curtas-metragens’.

Joel Viana, docente responsável pela delineação de tarefas, salienta os inúmeros desafios que a União Europeia enfrenta na atualidade. E se por um lado “é preciso dar uma resposta cabal à ofensiva da globalização, o que requer uma Europa economicamente muito forte, bem formada e altamente competitiva”, pelo outro é necessário “acabar de vez com laivos totalitaristas que têm imergido aqui e ali no espaço comum europeu e são uma clara ameaça à estabilidade e à paz democrática que prosperam na Europa desde a sua fundação”.

Este professor aponta para os jovens como o futuro da Europa, acrescentando que recai sobre eles a responsabilidade de construir “pilares” que garantam um continente unido, coeso, democrático e competitivo.

Dentro da temática geral ‘Que Futuro para a Europa?’, este grupo, constituído por seis alunos, de 14 anos, privilegiará um “prisma focado nos seguintes subtemas: juventude-educação-revolução, digital-participação e democrática-cidadania ativa. Consideram que estes são os pilares fundamentais para a consolidação do princípio subjacente ao projeto europeu”. Para esse efeito, docente e alunos vão trabalhar fora do horário escolar e reunir-se uma vez por semana para escalonar tarefas.

“O futuro que desejo para a Europa é a coexistência de um espaço comum onde não exista desigualdade de género ou social; onde a educação seja de qualidade exemplar para todos, sem exceção; onde a corrupção seja extinta e onde o preconceito não tenha lugar, principalmente para com os imigrantes”. É esta a vontade de Ricardo Andrade, estudante de 14 anos.

Questionada sobre o assunto, Clara Barradas, de 14 anos, encontra prós e contras na transição dos meios tradicionais para o digital. No que toca às vantagens, ressalta que esta transição possibilita que as “pessoas com dificuldades motoras possam usufruir de oportunidades idênticas aos demais, a diversos níveis”; facilita o “acesso generalizado a vastíssima informação”; “permitiu reduzir de forma incrível a distância-tempo-espaço-preço”. Quanto aos inconvenientes, constata que nem toda a gente tem acesso ao mundo digital, a par das desigualdades sociais que se acentuaram, em alguns casos; destaca ainda a generalização da “falsa propaganda e das ‘fake news’” e os “negócios tradicionais que foram à falência”; aos contras adiciona o “aumento do perigo associado a ataques cibernéticos”, o aumento do desemprego em funções em que o homem foi substituído por máquinas e a alteração “assustadora” do conceito de privacidade.