Debate JM: Acusações marcaram debate sobre o Porto Moniz

Por David Spranger

Foi mais político do que técnico o debate promovido pelo JM, que nesta sexta-feira juntou na redação do JM os candidatos à Câmara Municipal do Porto Moniz, Emanuel Câmara (PS) e Raimundo Silva (PSD/CDS), no âmbito das autárquicas 2021.

“Escuso-me a responder. Não quero ser indelicado com esse senhor e só posso dizer que dispenso e que tenho uma equipa muito competente, inclusive com suplentes capazes”. Foi desta forma que Emanuel Câmara respondeu à questão acerca de qual o pelouro de daria ao seu adversário na corrida à Câmara Municipal do Porto Moniz, Raimundo Silva, caso fosse obrigado a tal.

O candidato do PSD/CDS foi bem mais diplomático, referindo que “teria de estudar essa situação”, mas reconhecendo que sim, que “toda a gente tem qualidades”.

O desfecho da questão, colocada na fase final do debate promovido pelo JM acerca das autárquicas, no caso desta sexta-feira visando o Porto Moniz, foi apenas um dos pontos de exaltação do visível mal-estar entre os dois principais candidatos à autarquia, nas eleições de 26 de setembro próximo, no decorrer de um debate onde foram feitas muitas ‘inconfidências’.

Assim, entre muitas acusações Emanuel Câmara, que chegou mesmo a dizer que o seu adversário “caiu de paraquedas” no Porto Moniz, acusou-o que “se não fosse candidato pelo PSD/CDS seria pelo Chega, seria sempre da extrema direita.

Raimundo Silva esclareceu que de facto “recebi um convite do Chega mas recusei”, mas Emanuel Câmara rebateu ter certezas de que terá aceitado e que “inclusive trabalhou para o Chega”, já nesse âmbito.

Outra questão pessoal, entre os dois candidatos, teve a ver com a possibilidade de poderem ter estados juntos desde que Emanuel chegou à liderança, em 2013, assegurando que “nessa ocasião ofereceu-se para ser chefe de divisão na autarquia”. Na contra-resposta, foi Raimundo Silva a garantir que há quatro anos Emanuel o convidara para integrar as suas listas.

De resto, Emanuel Câmara colou sempre Raimundo Silva à gestão entre 2009 e 2013, onde foi adjunto do então presidente Valter Correia, evocando, constantemente a herança recebida e aludindo que aquilo que considera ter sido um mau desempenho desse anterior presidente, do PSD, teve também muito a ver “por não ter pessoas que o soubessem ajudar, e um deles foi este senhor”, de novo se direcionando para Raimundo Silva.

E com isto baixou o pano no debate, que decorreu nas instalações do JM, moderado pelos jornalistas Miguel Silva e Miguel Guarda, o segundo deste ciclo que irá dar voz aso candidatos representativos das forças políticas no poder e com lugar na vereação no atual mandato, nos 11 concelhos da Região.

Depois de Calheta e Porto Moniz, os debates serão retomados na próxima semana, segunda-feira com os candidatos à Câmara Municipal da Ribeira Brava, seguindo-se, sucessivamente, nos mesmos moldes, Machico (31 de agosto), São Vicente (1 de setembro), Ponta do Sol (2 de setembro), Câmara de Lobos (3 de setembro, Santa Cruz (6 de setembro), Porto Santo (7 de setembro), Santana (8 de setembro) e Funchal (9 de setembro).