Jornadas Madeira 2020: “A base de qualquer política social é o emprego”, José Manuel Rodrigues

David Spranger

Nas Jornadas Madeira 2020, que vão decorrendo na Ribeira Brava, José Manuel Rodrigues, deu o seu contributo em relação aquilo que terá de ser feito, em matéria de políticas sociais.

“A mais importante de todas as políticas sociais é acabar com este inverno demográfico na Madeira e ter políticas ambiciosas que permitam dar mais qualidade à vida dos nossos maiores e fazer crescer a natalidade”, disse o presidente da ALRAM, relevando que “este objetivo não se consegue, apenas com cheques-bebé ou com subsídios, mas com um forte investimento no apoio às famílias, com novas políticas fiscais e de segurança social e com novas leis laborais que propiciem aos jovens casais estabilidade no mercado de trabalho”.

“A base de qualquer política social é o emprego, tendo o máximo de postos de trabalho com salários justos e o mínimo de desempregados com perspetivas de voltar ao mercado laboral”, constatou, relevando que “quando as pessoas têm trabalho bem remunerado, grande parte dos problemas sociais estão resolvidos.

Só assim, conseguiremos manter o Estado Social, assegurando a renovação das gerações e garantindo aos mais idosos que vivem, e ainda bem, cada vez mais anos, a necessária qualidade de vida, as suas pensões, os apoios nas suas residências e nos lares e o acesso aos cuidados de saúde”.

“O segundo grande problema é a distribuição da riqueza”, exaltou José Manuel Rodrigues.

Para o presidente da Assembleia Regional, “o nosso sistema fiscal e de segurança social castiga em demasia os rendimentos do trabalho e não incentiva a produção e a competitividade, nem premeia o esforço e o mérito. O resultado é uma classe média duramente castigada e com tendência para empobrecer ou estagnar. Isto é, o nosso elevador social está parado há demasiado tempo”.

“O sistema fiscal e todas as outras políticas têm que ser reformadas para permitir uma melhor redistribuição da riqueza, criada anualmente na região e no país e para esbater o fosso entre os mais pobres e os mais ricos”, apontou também.

“O terceiro grande problema são as desigualdades territoriais, como a desertificação do norte da Madeira e dos concelhos mais afastados do Funchal, que provoca uma macrocefalia na capital e constrangimentos no acesso à saúde, à educação e a outros serviços essenciais”, destacou. “A descentralização de competências e meios financeiros para os Municípios mais afetados pelo despovoamento e a descentralização de serviços públicos para esses concelhos pode ser um caminho a percorrer”, complementou.

O quarto grande problema, no seu entender, “é a educação e qualificação dos nossos ativos que é ainda muito insuficiente, o que contribui para uma baixa produtividade e induz a prática de baixos salários, o que leva a uma manutenção da pobreza estrutural. Precisamos de uma forte aposta na digitalização das empresas e do ensino, na qualificação de trabalhadores e empresários e na promoção dos cursos técnico-profissionais, pois só assim poderemos ter empresas de maior dimensão, a produzir mais e a criar empregos mais bem pagos”.