Mercado de veículos ligeiros cai mais de 48% no 1.º semestre – ACAP

Lusa

O mercado de veículos ligeiros em Portugal caiu, nos primeiros seis meses do ano, 48,2% para 76.470 veículos fabricados, impactado, desde março, pela pandemia de covid-19, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) hoje divulgados.

Por categoria, entre janeiro e junho, verificou-se um retrocesso de 49,6% nos novos veículos ligeiros de passageiros, que passaram de 128.595 unidades, no primeiro semestre de 2019, para 64.848 em igual período este ano.

Já os ligeiros de mercadorias cederam 38,9%, no período em causa, fixando-se em 11.622 novos veículos.

Em junho, “nos ligeiros de passageiros tivemos uma quebra de 56,2% face ao mês homólogo e é de salientar que, este ano, junho teve mais um dia útil”, apontou o secretário-geral da ACAP, Helder Pedro, que falava num ‘webinar’ da associação e da plataforma Standvirtual.

De acordo com os dados apresentados por este responsável, no total, o mercado de ligeiros cedeu, em junho, 53,7% para 13.423 unidades, face ao período homólogo.

Por mês, o número de ligeiros de passageiros “teve, em janeiro, uma queda de 8%, uma subida de 7,4% em fevereiro e quedas de 57,4% em março, 87% em abril, 74,7% em maio e agora 56,2% em junho”, indicou Helder Pedro.

Apesar de ressalvar que o número de veículos ligeiros de passageiros novos, em junho, ainda não está apurado em todos os mercados, o secretário-geral da ACAP sublinhou que, considerando os números de maio, Portugal, ainda que o setor tenha reaberto no dia 04 do mês em causa, registou “a segunda maior queda na Europa, ficando apenas atrás da Croácia”.

Durante a sua intervenção, Helder Pedro notou ainda que a crise provocada pela pandemia de covid-19 “veio para ficar” e, por isso, 2021 “será ainda muito difícil” para o setor.

Nesse sentido, a ACAP pede que sejam tomadas “medidas de incentivo à procura” ainda este ano ou no próximo, opções que já foram tomadas, por exemplo, em França e que tiveram consequências positivas no mercado automóvel daquele país.

O secretário-geral da associação lembrou ainda que, no pico da pandemia, o número de trabalhadores em ‘lay-off’ (redução do horário de trabalho ou suspensão dos contratos) foi semelhante ao registado na hotelaria e restauração, o que “reflete bem o impacto da pandemia no setor”.

Neste momento, ao nível industrial “uma parte significativa” dos trabalhadores ainda está abrangido por este regime simplificado, realidade que também vai continuar a ser verificada, até ao final de julho, nas operações comerciais, afirmou Helder Pedro, sem avançar números.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 516 mil mortos e infetou mais de 10,71 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.587 pessoas das 42.782 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.