Wall Street fecha em baixa e cai para nível mais baixo desde novembro de 2016

Lusa

Wall Street tornou hoje a fechar em baixa, caindo para o nível mais baixo desde novembro de 2016, com os investidores inquietos perante o impasse político no Congresso sobre o plano de apoio à economia norte-americana.

Além do nervosismo causado pela persistência das divergências entre os congressistas democratas e republicanos, também a Reserva Federal (Fed) não os tranquilizou com as medidas que anunciou hoje.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average perdeu 3,04%, para os 18.591,93 pontos.

Um recuo similar foi sofrido pelo alargado S&P500, que desvalorizou 2,93%, para as 2.237,40 unidades. Este índice já está abaixo do nível que tinha quando Donald Trump tomou posse da Presidência dos EUA, em 20 de janeiro de 2017.

Já o tecnológico Nasdaq conteve as perdas em 0,27%, para os 6.860,67 pontos. Para tal desempenho, beneficiou dos comportamentos de alguns dos ‘pesos pesados’ que o integram, como Amazon (+3,1%) ou Netflix (+8,2%).

É mais um problema para Trump, que fez da boa saúde dos mercados financeiros um dos seus principais argumentos para a campanha eleitoral das eleições presidenciais de novembro próximo.

Na segunda-feira, os investidores manifestaram as suas inquietações, perante a incapacidade do Senado aprovar um plano de apoio massivo à economia que lhe permitisse enfrentar as consequências devastadoras da pandemia do novo coronavírus.

O texto foi rejeitado por duas vezes, no domingo à noite e hoje. As negociações prosseguem entre a maioria republicana e a minoria democrata.

Segundo Peter Cardillo, da Spartan Capital Securities, o Congresso deve aprovar este plano de apoio em breve.

“Quando for aprovado, os mercados devem começar a estabilizar”, previu.

“Isto não quer dizer que o mercado acionista vai recuperar rapidamente, mas não acredito que se desça dos níveis atuais”, acrescentou.

Os investidores também não pareceram particularmente tranquilizados pelas novas medidas do banco central norte-americano, anunciadas antes da abertura da sessão.

A Fed anunciou que ia fazer aquisições ilimitadas de títulos de dívida pública e outros garantidos (com hipotecas).

O banco central norte-americano anunciou também um programa de 300 mil milhões de dólares (280 mil milhões de euros) para ajudar a “sustentar o fluxo de crédito aos empregadores, aos consumidores e às empresas”.

Segundo vários analistas, a economia dos EUA deve preparar-se para uns meses muito difíceis.

Para Stephen Dulake, responsável máximo pela investigação sobre o crédito no JPMorgan Chase, “as previsões de uma recuperação em meados do ano são de uma história antiga”.

Dulake admitiu mesmo que espera uma “recessão profunda” na primeira economia mundial.