Albuquerque visita relojoaria que é exemplo de "capacidade e tenacidade"

Alberto Pita

A Relojoaria Figueira, na Rua Dr. Fernão de Ornelas, é um “bom exemplo da capacidade e tenacidade” de muitos negócios familiares que resistem aos tempos e modas na Madeira.

A convicção é do presidente do Governo Regional, que ontem visitou a relojoaria que está a assinalar o seu 70.º aniversário.

Para Miguel Albuquerque, “não é qualquer estabelecimento” que se mantém aberto ao fim de tantas décadas, o que significa que é “um negócio bem gerido”.

A Relojoaria Figueira foi fundada pelo ourives Manuel Figueira e hoje são três dos seus quatro filhos que enfrentam os desafios do presente, num contexto de maior concorrência e de novas formas de negócio.

Se, por um lado, estabelecimentos como este “têm de se adaptar” aos desafios que vão surgindo, por outro, possuem um conjunto de mais-valias que jogam a seu favor. “Desde logo a proximidade aos clientes, a simpatia com que os clientes são recebidos, a personalização do tipo de serviço prestado e a singularidade do conjunto de peças e serviços” que dispõem, enumerou o governante.

Segundo Miguel Albuquerque, o maior desafio hoje do comércio tradicional são as grandes áreas comerciais, pelo conjunto de facilidades que oferecem, nomeadamente os estacionamentos e as lojas integradas.

“É um desafio difícil, mas não é impossível de ser ultrapassado”, enfatizou.

Na presença dos sócios desta casa comercial na Rua Dr. Fernão de Ornelas, o chefe do executivo referiu ainda que o Governo Regional entregou, no atual mandato, 78,9 milhões de euros em apoios às empresas madeirenses, contando já com os fundos comunitários.

Além desse apoio financeiro, prosseguiu Albuquerque, houve um conjunto de outros fatores “essenciais” que contribuíram para o desenvolvimento da economia regional, designadamente a “confiança”, o “crescimento económico” e a “redução dos impostos”. E, a propósito, lembrou que o IRC está, atualmente, em 13%, e que é objetivo do Governo baixá-lo para 12% no próximo mandato, de modo a igualar à taxa praticada na Irlanda.

Neste aniversário da relojoaria, onde houve troca de prendas de ambas as partes, Manuel Figueira filho disse ao JM que o sucesso da loja resulta do “trabalho, dedicação e empenho de toda a equipa”.

Manuel Figueira concretizou que “os pilares fundamentais da longevidade são os princípios que o pai deixou: sermos honestos, dividir bem as tarefas e atender bem os clientes”.

A Relojoaria Figueira tem uma clientela diversificada, mas são os emigrantes provenientes da Venezuela, França ou Brasil, por exemplo, que mais peso têm no negócio. Daí que a faturação maior aconteça em julho, agosto e setembro, quando muitos regressam de férias à Madeira.

Os que estes clientes procuram é essencialmente ouro para oferecer em casamentos, batizados e outros eventos culturalmente enraizados. E à moda antiga e tradicional, ou seja, com os puros 19 quilates. Tal não invalida, contudo, que a inovação ocorra. A mudança existe, mas não é feita de modo radical, segundo explicou o porta-voz da família. Há um encontro entre o antigo e o moderno. Esta casa presta ainda à assistência sobre os artigos vendidos.