Lesados do Banif apresentam queixa à ERC contra “Polígrafo”

A ALBOA, Associação de Lesados do Banif, considera que o site "Polígrafo", que se anuncia especialista em investigar notícias falsas e verdadeiras, publicou online e difundiu pela SIC uma notícia tendenciosa e falsamente fundamentada sobre o papel da TVI na falência daquele banco, concluindo abusivamente pela de-responsabilização daquela estação televisiva.

Eis a transcrição do comunicado enviado à imprensa:

"A ALBOA questiona a oportunidade da notícia, os critérios editoriais da mesma e formaliza queixa à ERC, Entidade Reguladora de Comunicação Social, contra o "Polígrafo" por este, sob a capa de imparcialidade, ter tirado e emitido conclusões sobre matérias não factuais e, como tal, subjetivas e interpretativas.

A atitude do "Polígrafo" é tanto mais gravosa quanto corre neste momento em tribunal um processo de largos milhares de milhões de euros contra a TVI . Na ação, Movido pela Comissão Liquidatária do Banif, a ALBOA constitui-se como assistente, tendo o processo merecido, entretanto, dedução de acusação pelo Ministério Público.

Ou seja, num momento que corre em tribunal o referido processo, num momento em que, após investigação judicial, o Ministério Público acusa a TVI de ter tido papel preponderante na falência do Banif, num momento em que, dois anos e meio depois da notícia da TVI ter sido emitida, o facto não tem qualquer relevância nem oportunidade noticiosa, o "Polígrafo" e o "Polígrafo-SIC" entendem ser importante "decretar" publicamente a "absolvição" da estação de televisão, ainda por cima com base em critérios não factuais.

Como compreender tal iniciativa e tal atitude? Uma simples leviandade? Infelizes coincidências de obras do acaso?

Tudo seria desculpável se a "brincadeira" não atingisse os legítimos interesses de muitos milhares de Lesados Banif (na sua esmagadora maioria pessoas desprotegidas e de fracos recursos) e não tivesse contornos criminais.

Analise-se a frase que serve de suporte à "noticia" (falsa, segundo os critérios propalados pelo "Polígrafo"):

"Um dia antes da notícia, a situação do Banif já era tão grave que o Banco de Portugal escreveu ao Ministro das Finanças, Mário Centeno, a informá-lo que estava a ganhar força a possibilidade de ser retirada a autorização ao Banif para prosseguir a atividade bancária. Isso levaria à liquidação do banco".

Esqueceu-se de dizer o "Polígrafo", nesta frase, que a tal referida carta do Banco de Portugal ao Ministro das Finanças não era publicamente conhecida à data da notícia da TVI.

(Seria conhecida da misteriosa fonte, aparentemente institucional, que deu a "caixa" à TVI?)

Ou seja, o "Polígrafo" justifica a sua alegada conclusão - que a notícia da TVI não provocou a falência do Banif - com outra uma notícia... que não era conhecida na altura.

Desculpa uma notícia... com outra notícia que só seria conhecida em data posterior ao facto.

Uma notícia à posteriori que, nem essa, é conclusiva, já que apenas menciona a "possibilidade" (não a decisão) de o Banco de Portugal poder vir a retirar a licença ao Banif.

Que chamar a esta "engenharia noticiosa"?

O "Polígrafo" terá méritos na seu objectivo de denunciar notícias falsas e confirmar verdadeiras.

Porquê, porém, esta estranha atitude de noticiar agora um assunto que tem anos sobre o facto e sabendo que decorre um muito importante processo criminal contra a TVI"?