Calado acusa Estado de "camuflar o financiamento direto" à TAP e à SATA

Patrícia Gaspar

O vice-presidente do Governo Regional considera “lamentável” que Lisboa tente passar a mensagem de que os ilhéus gastam dinheiro do contribuinte português, quando o princípio de continuidade territorial é um direito constitucional.

“Deviam explicar que estes 200 milhões têm sido utilizados pelo Estado para financiar a TAP e a SATA. Isso é que é grave… Estão a utilizar os madeirenses e os açorianos para camuflar o financiamento direto a essas companhias aéreas”. Pedro Calado reage assim às declarações recentes do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, que atribuiu à mobilidade gastos de cerca de 200 milhões de euros.

O governante dá como exemplo os concursos públicos orçados em 580 milhões e destinados a empresas como os metropolitanos de Lisboa e do Porto, a Carris, a STCP, a Transtejo, entre outras.

“Estão preocupados com 100 milhões para a Madeira e outros 100 milhões para os Açores para assegurar a continuidade territorial, quando ao nível nacional abrem estes concursos públicos com um investimento de 580 milhões”, sublinha o governante, lembrando que o investimento em infraestruturas rondou, no território continental, 21 milhões de euros.

Para o vice-presidente do Executivo madeirense, esta é a prova de que o Governo da República continua a olhar para os madeirenses como ‘portugueses de segunda’.

“Esta é uma mensagem que o Estado português não podia, nem deveria passar”, vincou, em declarações proferidas hoje à margem de uma visita às instalações da empresa Vidinha.