Representante da República diz que privados têm agora "papel motriz" da economia da Madeira

O representante da República para a Madeira, Ireneu Barreto, disse hoje, na cerimónia comemorativa do Dia do Empresário Madeirense, que cabe à iniciativa privada o "papel motriz da economia madeirense", depois de construídas as grandes infraestruturas da região.

"Da minha parte, tenho por certo que, concluídos em larga medida os esforços públicos de construção das grandes infraestruturas, cabe agora à iniciativa privada o papel motriz da economia madeirense", sustentou, na cerimónia de homenagem aos empresários madeirenses, iniciativa promovida pela Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF).

Ireneu Barreto reconheceu que as gerações anteriores de empresários tiveram de fazer o seu caminho "do ponto de quase nada", mas que, agora, "têm que se adaptar ao mundo global, ter capacidade de mudar e reagir ao mercado onde 'start up's' de garagem se transformam em unicórnios da noite para o dia e gigantes empresariais de décadas desaparecem quase sem pré-aviso".

Para o juiz conselheiro, esse caminho será feito "investindo na modernização da oferta da indústria turística, na inevitável internacionalização das empresas madeirenses e na diversificação das atividades económicas".

"Com efeito, hoje têm nesta região a sua sede muitas das empresas nacionais de referência nas mais diversas áreas da atividade económica: desde a indústria hoteleira à programação de software, da gestão portuária à produção vitivinícola de excelência, da inovação na animação turística à produção piscícola em mar aberto, da construção de estruturas viárias complexas às plataformas de compras públicas", disse.

São empresas, continuou, que a partir de um território mínimo, com escassa população e recursos naturais exíguos, conseguiram destacar o nome da Madeira no plano nacional e, tantas vezes, internacional, mesmo "enfrentando exigentes condições de concorrência".

O representante da República lembrou "os exemplos de emigrantes madeirenses que são hoje comerciantes e industriais de sucesso um pouco por todo o Mundo, desde o Brasil à Venezuela, da África do Sul aos Estados Unidos, do Reino Unido ao Canadá" e manifestou também "a solidariedade com os conterrâneos que emigraram para Estados que atravessam momentos muito difíceis", numa alusão à Venezuela.

Ireneu Barreto aproveitou a ocasião para destacar o Centro Internacional de Negócios, dizendo tratar-se de "uma instituição que dá garantias de transparência, colaboração e rigoroso controlo, com um papel fundamental na geração de receitas fiscais e criação de emprego" numa ultraperiférica e que, como tal, "urge defender".

António Maria Jardim Fernandes, José Egídio Monteiro, Grupo Cardoso, Pestana & Pestana, Vinhos Barbeito e Manuel Hugo Luís da Silva e Filhos foram os empresários e as empresas homenageadas pela ACIF/CCIM.

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e a presidente da ACIF/CCIM, Cristina Pedra, participaram também na cerimónia.

Miguel Albuquerque disse que o Governo vai apostar na formação para as novas tecnologias, anunciando que a Matemática Aplicada e a Robótica vão fazer parte do ensino na Região.

Cristina Pedra defendeu a aposta no ensino e nas novas tecnologias e chamou a atenção que o "desemprego estrutural na Região é pouco qualificado".

A evolução dos modelos de negócios foi o tema escolhido este ano para o debate do Dia do Empresário Madeirense.

No jantar de gala do Dia do Empresário Madeirense participa o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.

Lusa