“Portugal, enquanto destino turístico, vive atmosfera de fim de ciclo”

David Spranger

Reunidos nos Açores, os agentes de viagens de turismo constatam inúmeros problemas no setor, particularmente na sua capacidade de crescimento.

Na abertura do 44.º congresso da APAVT, que por estes dias decorre nos Açores, Pedro Costa Ferreira, o presidente desta organização, que congrega todo o tecido empresarial ligado às agências de viagens em Portugal, não escondeu o seu descontentamento pelo atual estado de coisas, ao nível de ligação aérea e ‘sobrecarga’ verificada no Aeroporto de Lisboa, entre outras situações que preocupam o setor.

“Portugal, enquanto destino turístico, vive efetivamente uma atmosfera de fim de ciclo. Em primeiro lugar, porque o aeroporto de Lisboa, um dos principais instrumentos do recente crescimento, parece estar esgotado, colocando inúmeros problemas, tanto à cidade de Lisboa, como a todo o País. Este problema assume ainda maior acuidade, conhecendo-se a importância da via aérea, eu diria mesmo a dependência da via aérea, na chegada de turistas a Portugal. Em segundo lugar, a quota de mercado atingida no nosso País, pelas Low-cost, é hoje uma quota de mercado madura, que, exatamente por isso, não será passível de crescimento agressivo”, conforme as suas palavras.

Aliás, pegando no exemplo dos Açores, “eu diria que não é passível, nem tão pouco é desejável, sabendo que a Região poderá ter nas low cost um poderoso veículo de crescimento, desde que, e apenas, não fique dependente deste tipo de companhia aérea”.

Em terceiro lugar, prosseguiu, “o alojamento local. Foi um importantíssimo instrumento de desenvolvimento turístico, nos últimos anos, tanto no continente, como nas ilhas. Investiu, diferenciou, acolheu novas procuras. Também aqui, é razoável dizer-se que o comportamento futuro não será o espelho da história recente, facto que impactará necessariamente no crescimento turístico.

Em quarto lugar, “se pensarmos nos fatores exógenos que nos têm sido favoráveis, sopra hoje um vento contrário às nossas ambições, com destinos como a Tunísia, Egipto ou Turquia, apenas para dar três bons exemplos, a recuperar de forma fulgurante e a influenciar negativamente um mercado que, do lado da procura, tem vasos comunicantes”.