Presidente do parlamento dos Açores quer reforçar posição geoestratégica da Macaronésia

A presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores defendeu hoje que os arquipélagos da Macaronésia devem reforçar a sua posição geoestratégica no Atlântico e reafirmar a dimensão marítima no contexto europeu.

“Devemos promover as sinergias que reforcem a nossa posição geoestratégica no Atlântico, reafirmando a importância política e económica da dimensão marítima que os nossos arquipélagos podem conceder, principalmente no atual contexto europeu”, declarou Ana Luísa Luís.

A responsável pelo parlamento açoriano falava na Horta, ilha do Faial, na qualidade de anfitriã, na abertura da nona edição das Jornadas Parlamentares Atlânticas, que até terça-feira reúnem nos Açores representações parlamentares da região autónoma, da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde (conjunto de arquipélagos designado por Macaronésia).

Para Ana Luís, esta plataforma deve “assumir-se enquanto espaço que, por excelência, permite a partilha e troca de experiências entre regiões que comungam do mesmo sentimento insular”.

Este espaço deve também permitir “a reflexão e o diálogo sobre as preocupações e os desafios” que as quatro áreas partilham.

A líder do parlamento açoriano considerou que “fomentar a cooperação interparlamentar, articular posições e definir linhas de orientação e de intervenção”, através dos órgãos de governo próprio, “permitirá adequar programas e políticas às necessidades e especificidades destes arquipélagos”.

Ana Luís preconizou que os arquipélagos da Macaronésia devem, em conjunto, “encontrar mecanismos e instrumentos que sejam úteis ao desenvolvimento”, com a prioridade de melhorar a vida dos seus cidadãos.

Durante as jornadas parlamentares existem vários grupos de trabalho que abordarão diferentes temas, como as regiões ultraperiféricas, os Estados e a União Europeia, algo que para a presidente do parlamento dos Açores assume “especial relevância” no contexto de negociação financeira do futuro quadro comunitário.

As regiões ultraperiféricas, sublinhou, devem assumir um “papel primordial” nessa negociação.

As economias da Macaronésia no contexto da economia global, com especial incidência no turismo, comércio e setor primário, são tema de outro grupo de trabalho.

As alterações climáticas nos diferentes arquipélagos, a educação, a cultura e a igualdade de género constituem outros dos temas a abordar pelos parlamentos da Macaronésia.

O presidente do parlamento da Madeira declarou, por seu turno, que as jornadas revelam uma vontade política de promover e reforçar a cooperação entre os arquipélagos por via do desenvolvimento económico, social, cultural e ambiental.

Destacando que a Macaronésia tem 28 ilhas habitadas, num mercado constituído por três milhões de habitantes, Tranquada Gomes declarou que esta parceria de arquipélagos está empenhada em encontrar "janelas de oportunidade" entre as regiões que a compõem em áreas estratégicas para o futuro.