Parecer dos trabalhadores dos CTT chumba fecho das 22 lojas

JM/ECO

A Comissão de Trabalhadores dos CTT está contra o encerramento das 22 lojas e já entregou o parecer pedido pela administração da empresa. Argumentam que dão lucro de 2,4 milhões e alertam para a falta de qualidade nos postos vizinhos, adianta uma notícia do jornal económico online ECO.

José Rosário, coordenador da Comissão dos Trabalhadores dos CTT, critica o facto de estes encerramentos virem “em bolo” e foi essa a mensagem principal transmitida no parecer que entregou esta quinta-feira à administração liderada por Francisco Lacerda.

“Uma coisa era a administração ter solicitado o nosso parecer em relação a uma estação pontualmente, alegando este ou aquele motivo. Quando estamos a falar de um bloco de lojas, a nossa opção foi por dar um parecer geral negativo e crítico. E deixámos evidente a nossa preocupação em relação a novos fechos mais à frente”, declarou José Rosário, em declarações ao ECO.

O coordenador, refere ainda este jornal, vai esta sexta-feira ao Parlamento explicar aos deputados a visão dos trabalhadores em relação ao plano de reestruturação da empresa de correios.

São sobretudo dois os argumentos que levam a Comissão dos Trabalhadores a chumbar os planos dos CTT para fecharem 22 lojas, a maioria das quais concentradas no Porto e em Lisboa, numa decisão que também incluiu a Madeira (com o encerramento dos postos de Santo António e no Arco da Calheta).

Em primeiro lugar, o argumento económico. “Se fossem estações não rentáveis, que dessem prejuízos, eventualmente a empresa teria aqui um argumento económico legítimo no sentido de as encerrar. Mas no global elas dão lucro anual de 2,4 milhões de euros”, sublinha Rosário.

Depois, a alternativa que os clientes vão ver disponibilizada pelos CTT assim que estas lojas encerrarem. “A maioria até tem alguma proximidade. Há aqui uma situação ou outra que ultrapassa os 7.000 metros. Mas muitas destas alternativas são postos de correio e os postos de correio têm um conjunto de problemas que há anos que identificámos e temos vindo a alertar para a sua resolução", frisa.

Assim, acrescenta que, "mesmo que houvesse argumento para o encerramento das estações, a solução alternativa em postos de correio tem problemas graves em relação à confidencialidade, ao serviço postal, e em relação à prestação da totalidade de serviços que a empresa consegue prestar”, explica o responsável.

Recorde-se que estes encerramentos fazem parte um um plano de reestruturação mais amplo anunciado pela gestão dos CTT há cerca de um mês e que vai implicar a saída de 1.000 trabalhadores até 2020, cortes nos salários e prémios dos administradores e ainda nos dividendos a distribuir pelos acionistas.