Oposição diz que 'jardinismo' regressou à Madeira com o Orçamento para 2018

Lusa

A oposição na Assembleia Legislativa da Madeira disse hoje, na votação final global do Orçamento e Plano do Governo Regional para 2018, que o "jardinismo", governação de 38 anos de Alberto João Jardim, está de volta à Madeira.

O deputado independente (ex-PND), Gil Canha, disse que o PSD "está a repetir as medidas 'keynesianas' puras do dr. Alberto João Jardim [ex-presidente do governo madeirense]", prosseguindo "uma economia sempre dirigida para os mesmos".

"Voltou tudo à estaca zero, ao jardinismo puro e duro" numa "aposta suicida", concluiu.

Raquel Coelho (PTP) corroborou esta posição, defendendo que o "o orçamento dá continuidade às políticas que levaram à falência das finanças regionais", mencionando que as 10 propostas de alteração que o partido apresentou "foram todas chumbadas".

Roberto Almada, do BE, lamentou o "ressuscitar do discurso do contencioso da autonomia" e de "arrogância", numa espécie de "regresso do velho senhor [Alberto João Jardim]".

O deputado do PCP Ricardo Lume declarou que neste Natal, com este orçamento, "a prenda irá cair nos sapatinhos dos banqueiros e seus parceiros", tendo em conta os milhões que vão ganhar as grandes empresas com o investimento previsto em obras.

"Este orçamento mais parece um guião de um filme de ficção científica", disse, argumentando que as promessas de obras feitas são depois desta quadra "guardadas numa caixa" e que existia "um outro caminho a esta política de desastre" aplicada pelo PSD.

O presidente do PS/Madeira, Carlos Pereira, lembrou, por seu lado, que o "discurso de hostilidade e de estar a criar contenciosos com a República é imprudente e não deu bons frutos no passado", defendendo "uma política de diálogo".

"Este orçamento não revela, minimamente, um ciclo novo, mas que estamos a produzir exatamente os mesmos vícios, apesar de termos outros protagonistas", finalizou.

Paulo Alves, do JPP, disse que, com a chegada ao poder do atual Governo Regional, em 2015, "passou-se a ideia de que ia cortar com o passado, mas foi sol de pouca dura", considerando que "quem governa voltou a centrar a sua atenção e as suas prioridades num setor que", na opinião do JPP, "beneficia alguns em detrimento de muitos".

O deputado assegurou ainda que o partido não está contra as obras em betão, mas "apreensivo quanto à prioridade que é dada a determinadas obras em detrimento de outros investimentos".

O presidente do CDS-PP, Lopes da Fonseca, considerou que "este orçamento é o pior dos três que o atual Governo apresentou aos madeirenses, pois não devolve efetivamente rendimento às famílias, nem às empresas".

"O atual Governo, tal como havia feito o anterior, habituou-se à austeridade" e propõe "uma política de mais endividamento, mais betão".

O deputado do PSD Carlos Rodrigues encerrou as intervenções dos partidos, salientando que o debate do Orçamento "fica marcado pela gritante e habitual falta de argumentos, palavras gastas do passado, as mesmas frases e ironias, uma pobreza franciscana que tem acompanhado nos últimos 40 anos".

Carlos Rodrigues observou que das 255 propostas de alteração apresentadas pela oposição "mais de dois terços correspondem a aumento de despesas ou diminuição de receitas, as restantes são cópias de agendas partidárias".

O parlamentar social-democrata também criticou "a postura caloteira do Estado português", o qual se porta "como pessoa de má índole", porque "Lisboa deve e não paga" e "desconfia das autonomias insulares".

"Lisboa impõe-nos à dependência para, depois, nos chamar de parasitas. É preciso acabar com esta esquizofrenia", finalizou.