Presidente do CES defende crescimento económico como maior desafio do país

LUSA

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Francisco Assis, defendeu hoje que o crescimento económico é o maior desafio do país, porque dele depende o crescimento dos salários e o Estado Social.

"O crescimento económico é o maior desafio do país, porque tudo depende dele", disse Francisco Assis aos jornalistas, acrescentando que o crescimento económico depende da produtividade.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, após a sua tomada de posse para um novo mandato como presidente do CES, Assis defendeu que "só uma economia próspera permitirá o crescimento substancial dos rendimentos dos portugueses e o financiamento do Estado Social", necessário ao bem-estar da população.

"Se não houver crescimento da economia não vamos poder ter rendimentos parecidos com os dos nossos parceiros europeus", disse.

O presidente do CES reafirmou a necessidade de revisão da lei que criou este Conselho, que tem 30 anos, de modo a permitir a alteração do seu Plenário, tornando-o mais representativo.

Francisco Assis apontou a falta de representação no Plenário do CES do setor desportivo e do setor do combate à pobreza.

O presidente defendeu ainda a necessidade de reforço dos meios do CES para a produção de pareceres e estudos, de modo a concentrar nesta entidade "a administração consultiva", que considerou estar muito dispersa.

"O objetivo é tornar o CES uma entidade mais ativa , para dinamizar a sociedade portuguesa para os grandes temas sociais", disse.

Pouco antes, na breve intervenção que fez na sua tomada de posse, Francisco Assis, defendeu a necessidade de se avançar rapidamente para o acordo de Concertação Social sobre rendimentos e competitividade, que o Governo pretende ter pronto no outono.

No ato de posse, o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, elogiou a votação conseguida por Assis e o papel da concertação social na democracia portuguesa.

Santos Silva manifestou ainda a abertura do parlamento para a revisão da lei que criou o CES.

Francisco Assis foi eleito presidente do CES pela primeira vez em 10 julho de 2020, com 170 votos, e tomou posse em 16 de julho.

Com a queda do governo, após o chumbo do Orçamento do Estado no final do ano passado, o mandato do presidente do Conselho Económico e Social foi interrompido, embora Francisco Assis tenha continuado em funções.

Após as eleições legislativas de 30 de janeiro, António Costa convidou Francisco Assis a recandidatar-se.

O socialista Francisco Assis foi reeleito pelos deputados da Assembleia da República a 29 de abril, com 192 votos, conseguindo a maior votação de sempre, desde a criação do CES, há 30 anos.

A candidatura de Francisco Assis foi proposta pelo Partido Socialista, mas contava também com o apoio do PSD, o que lhe garantia à partida os votos necessários para a reeleição, ou seja, dois terços dos deputados.

Francisco Assis nasceu em 1965, em Amarante, é licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Professor universitário, ligado à ala de centro-esquerda do PS, já foi presidente da Câmara de Amarante, eurodeputado e líder parlamentar socialista em dois períodos distintos.