Novo Banco agrava prejuízos em 39% para 555 ME no 1.º semestre

Lusa

O Novo Banco registou prejuízos de 555,3 milhões de euros no primeiro semestre, um agravamento de 38,8% face ao mesmo período de 2019, constituindo 138 milhões de euros de provisões relacionadas com a covid-19, divulgou hoje a instituição.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco liderado por António Ramalho assinalou que os prejuízos se justificam "em 91% pelas perdas de -260,6 milhões de euros resultado da avaliação independente aos fundos de reestruturação" e "138,3 milhões de euros de imparidade adicional para riscos de crédito decorrentes da pandemia covid-19".

De acordo com o documento, o Novo Banco justifica os prejuízos com perdas de 78,7 milhões de euros "relacionados com a cobertura de risco de taxa de juro de títulos de dívida pública portuguesa" e 26,9 milhões de euros no "reforço da provisão para reestruturação".

No primeiro semestre de 2019, o Novo Banco tinha registado prejuízos de 440,1 milhões de euros, pelo que o resultado hoje conhecido representa um aumento de 155,2 milhões de euros face a esse período.

O banco que sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES) assinala, ainda assim, que "os resultados da atividade apresentam melhorias quando comparados com os do período homólogo", como o aumento do resultado operacional 'core' em 3,1%, "em resultado do aumento da margem financeira (+3,2%) e da redução de custos operativos (-5,4%)", bem como do "aumento do resultado operacional (+10,5%)".

"O produto bancário comercial ascendeu a 407,1 milhões de euros (-1,9% em termos homólogos). A evolução positiva da margem financeira (+3,2%) foi absorvida pelo decréscimo nos serviços a clientes (-10,6%)", pode também ler-se no documento.

No entanto, os resultados de operações financeiras foram negativos em 35,1 milhões de euros, "reflexo das perdas decorrentes da volatilidade nos mercados financeiros e de capitais no primeiro semestre de 2020, parcialmente compensadas com ganhos na alienação de títulos de dívida pública".

"Os custos operativos apresentam uma redução de 5,4%, situando-se em 230,1 milhões de euros, reflexo das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização de estruturas com a consequente redução no número de balcões e de colaboradores", afirma o Novo Banco.

Dentro dos custos operativos, os custos com pessoal reduziram-se em 4,2 milhões de euros para 129,2 milhões, os gastos gerais administrativos reduziram-se em 9,2 milhões de euros para 83,5 milhões e o custo com amortizações aumentou 300 mil euros para 17,3 milhões de euros.

No total, as provisões constituídas pela instituição financeira ascendem a 351,3 milhões de euros, dos quais 289,5 milhões para crédito ("138,3 milhões de euros são reflexo da atualização da informação dos modelos IFRS 9 [norma contabilística] antecipando potenciais impactos nos clientes decorrentes dos efeitos da pandemia da covid-19"), 60,5 milhões de euros para outros ativos e contingências e 1,2 milhões de euros para títulos.

A rubrica dos serviços a clientes denotou também uma redução de 16,1 milhões de euros, uma diminuição de 10,6% no primeiro semestre face ao mesmo período do ano passado.

As receitas com comissões atingiram os 45,4 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2020, uma diminuição de 5,3 milhões de euros face ao mesmo período de 2019.

O Novo Banco voltou a apresentar os resultados separando a atividade recorrente da atividade de legado do antigo BES.

Segundo o banco liderado por António Ramalho, a atividade recorrente do banco teve um resultado positivo de 34 milhões de euros no primeiro semestre, ao passo que a atividade do legado registou prejuízos de 493,7 milhões de euros.

Citado no comunicado, o presidente executivo do banco assinalou que "a par do processo de reestruturação do banco nos últimos anos, é de realçar o contínuo apoio do Novo Banco às empresas e às famílias portuguesas".