O presidente do Governo Regional da Madeira esteve presente esta manhã na XI Grande Conferência do Jornal da Economia do Mar - Edição Madeira.
Em declarações aos jornalistas, à margem da conferência, o presidente do Governo Regional defendeu que Portugal precisa de passar “das grandes proclamações à prática”, afirmou Albuquerque, lembrando que o maior armador português é hoje o Grupo Sousa. “Nós temos que assumir de uma vez por todas como um país com vocação atlântica e com investimentos cruciais nesta área”.
Miguel Albuquerque não deixou margem para dúvidas quanto ao momento que Portugal atravessa no plano marítimo e estratégico.
O governante sublinhou ainda os recentes avanços. “Temos neste momento o terceiro registo naval da União Europeia, a Reserva das Selvagens com 2.637 km², que é a maior do Atlântico Norte, e um conjunto de polos científicos, designadamente a ARDITI”, disse deixando um aviso claro sobre o que ainda falta fazer.
A Madeira surge, no discurso do presidente, como peça central de uma estratégia que considera insuficientemente valorizada em Bruxelas.
Miguel Albuquerque alertou para as fragilidades das infraestruturas da ilha, apontando especificamente para a ilha do Porto Santo: “O porto do Porto Santo não tem possibilidade de acostar navios de grande porte, não tem áreas de reservas ou infraestruturas logísticas”, e acrescentou que o aeroporto local “está parcialmente inoperacional, tudo isto a 500 quilómetros do norte de África”, o que na opinião do chefe do executivo madeirense é crucial manter uma posição estratégica para a defesa e segurança.
O presidente madeirense enquadrou estas preocupações no novo cenário geopolítico mundial, defendendo que as ameaças já não se limitam às fronteiras terrestres da Europa. “Hoje em dia as ameaças são globais e o Atlântico neste momento é central”, disse, criticando a tendência europeia de concentrar atenções na fronteira leste, em resposta à invasão da Ucrânia, esquecendo a dimensão oceânica.
Sobre o discurso do Presidente da República na véspera, Albuquerque foi direto: “Foi muito claro, nem precisava de dizer que foi subtil, e isso é uma coisa que toda a gente percebe”.
E resumiu a lógica que, na sua visão, deve orientar as decisões: “Ou nós preservamos aquilo que é nosso, na nova conjuntura mundial, ou as potências, sobretudo os Estados Unidos, não vão deixar criar vulnerabilidades nesta área do Atlântico. Ou nós o fazemos, ou alguém vai ter que o fazer”.