O Banco Português de Fomento (BPF) está a estudar a atribuição de garantias públicas à classe média e aos mais desfavorecidos para acesso à habitação, avançou hoje o presidente, Gonçalo Regalado, em entrevista à Rádio Renascença.
“Já fizemos no passado financiamento a pessoas e a indivíduos, em particular de classes menos favorecidas na dimensão de educação. Portanto, estamos a estudar todos os cenários”, disse Regalado no programa “Dúvidas Públicas” da Rádio Renascença.
Embora salientando que o objetivo do BPF “é claramente a habitação do lado da oferta”- “95% do nosso trabalho é oferta, oferta, oferta, empresas que construam e concebam habitação”, enfatizou – o presidente da instituição admitiu que, “ser for necessário”, o banco pode “ter uma palavra dizer nas garantias públicas e na dimensão de crédito público na habitação” para “classes desfavorecidas e, em particular, para a classe média”.
No início de junho, Gonçalo Regalado tinha já anunciado que o banco tem disponíveis 500 milhões de euros este ano para financiar cooperativas de habitação.
Em conferência de imprensa em Lisboa, referiu que estes 500 milhões de euros são o valor da garantia que o Banco de Fomento presta à banca comercial no financiamento destes projetos, para que esta tenha mais ‘conforto’ em conceder crédito a cooperativas de habitação.
Ainda este ano, Gonçalo Regalado afirmou ainda que o Banco de Fomento tem disponíveis 1.000 milhões de euros para parcerias público-privadas de construção de habitação acessível.
Em janeiro, à margem de um evento em Lisboa, Regalado tinha falado no total de 4.000 milhões de euros para apoiar a construção e reabilitação de casas a custos acessíveis, incluindo cooperativas de habitação, mas então ainda não era conhecido qual o valor destinado a cada área.
No passado dia 01, explicou que o BPF espera mobilizar 1.500 milhões de euros para a habitação este ano (500 milhões para cooperativas de habitação e 1.000 milhões para parcerias público-privadas) e que o valor de 4.000 milhões de euros é o previsto até 2028.
“Começamos com as cooperativas de habitação que são mais ágeis, depois as parcerias público-privadas e depois de forma musculada o financiamento de habitação pública”, disse Regalado aos jornalistas.
Em 2025, não houve financiamento do Banco de Fomento destinado à habitação.
Na entrevista à Rádio Renascença, Gonçalo Regalado garantiu ainda que o Banco de Fomento é independente do poder político e que “o Estado não dá orientações ao banco” e indicou que, a partir de setembro, estarão disponíveis mais duas linhas de crédito do BPF, para a agricultura e para o turismo, setores em que o banco vê “maior dificuldade no financiamento bancário”.
Na área da saúde, referiu que o Banco do Fomento vai participar no financiamento do Hospital Central do Algarve, com o Banco Europeu de Investimento (BEI), estando ainda por definir se será através de uma garantia para o sindicato bancário ou de um crédito direto com o BEI.