Covid-19: Desportistas 'aplaudem' em uníssono o adiamento dos Jogos Olímpicos

Lusa

Os desportistas de vários ‘cantos’ do mundo e das mais diversas modalidades ‘aplaudiram’ hoje em uníssono o adiamento dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, para 2021, concordando que o importante agora é a luta contra a pandemia da covid-19.

“Podemos continuar a sonhar com uns Jogos maravilhosos, mas, agora, é tempo de apoiar aqueles que trabalham para curar os doentes e para nos manter saudáveis”, disse a nadadora norte-americana Katie Ledecki, que conta cinco medalhas de ouro olímpicas, acrescentando: “Vamos vencer isto juntos”.

O queniano Eliud Kpichoge, campeão olímpico da maratona, falou de uma decisão “muito sábia”, enquanto o ciclista belga Victor Vampenaerts, detentor do recorde da hora, disse que se tratou de uma “boa decisão, a única que podiam ter tomado agora”.

De França, o bicampeão olímpico de judo Teddy Rinner afirmou que agora “há um combate mais importante para ganhar” do que os Jogos Olímpicos, garantindo: “Tóquio, vemo-nos em 2021”.

A nadadora espanhola Mireia Belmonte, medalhada nos Jogos de Londres2012 e do Rio2016, pensa que se fez “finalmente o correto, o que tinha de ser feito”, lembrando que não era possível “treinar em condições ótimas, em igualdade com outros”.

O seu compatriota e basquetebolista Pau Gasol, medalha de prata em 2008 e 2012 e de bronze em 2016, elogio a decisão “tão difícil” de adiar os Jogos, para deixar claro que “a saúde e o bem-estar devem prevalecer por cima de qualquer outra coisa”.

A futebolista Carla Lloyd, que ajudou os Estados Unidos a arrebatar o ouro em 2008 e 2012, explicou que o covid-19 “ultrapassa os Jogos Olímpicos”, pelo que se tratou de uma “boa decisão”, face a um “vírus sem precedentes e a uma situação sanitária que se continua a agravar”.

De Itália, o país com mais vítimas mortais provocadas pelo novo coronavírus, o ciclista Vincenzo Nibali também ‘aplaudiu’ o COI, já que, numa altura como a que se vive, o “mundo deve combater esta emergência e o desporto pode esperar”.

A alemão Isabel Werth, seis vezes medalha de ouro na equitação, também não tem dúvidas de que foi feito “o que se esperava e era reclamado” por todos os desportistas, uma vez que, nesta fase, “o objetivo é apenas continuar de boa saúde”.

O lançador de disco paralímpico britânico Dan Greaves congratulou-se também com o adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, pois “a saúde está em primeiro lugar”.

Por seu lado, o brasileiro Gabriel Medina, bicampeão mundial de surf, falou de uma “decisão correta”, adiantando que “todos os atletas terão as mesmas possibilidades de se preparar quando for fixada uma nova data”.

Os Jogos Olímpicos Tóquio2020 foram adiados para 2021, devido à pandemia da covid-19, anunciaram hoje o Comité Olímpico Internacional (COI) e o Comité Organizador dos Jogos, em comunicado.

"Nas presentes circunstâncias e baseado nas informações dadas hoje pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o presidente do COI [Thomas Bach] e o primeiro-ministro do Japão [Shinzo Abe] concluíram que os Jogos da XXXII Olimpíada em Tóquio devem ser remarcados para uma data posterior a 2020 e nunca depois do verão de 2021", lê-se no comunicado.

Esta decisão foi, de acordo com o mesmo documento, tomada “para salvaguardar a saúde dos atletas, de toda a gente envolvida nos Jogos Olímpicos e de comunidade internacional”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 386 mil pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 17.000 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, há 33 mortos e 2.362 infetados confirmados.