Sérgio Jesus classifica de "rude golpe" o 'desviar' das Extreme Sailing Series da Madeira

Daniel Faria

O ‘afastamento’ das Extreme Sailing Series da ‘rota madeirense’ é duramente criticado por Sérgio Jesus. O dirigente classifica a decisão de “rude golpe”, deitando por terra o esforço feito para colocar a Madeira ‘no mapa’ relativamente a grandes eventos mundiais ligados ao desporto náutico.

Em entrevista ao JM, Sérgio Jesus abordou o tema, criticando o Governo Regional pela decisão tomada.

“Os Extreme Sailing Series já não voltam à Madeira em 2018. A decisão do Governo em não apoiar a realização do que seria a 3.ª Edição desta prova internacional em mares regionais, foi recebida pela comunidade local com desapontamento, depois de duas edições que se pautaram por evidente sucesso e impacto na notoriedade da Região a nível global, tendo a primeira edição se saldado em um retorno mediático de 9,4 Milhões de Euros, quase tanto quanto o orçamento reservado para a Promoção da Madeira, por via institucional”, começou por dizer.

Como entende a decisão do evento não passar pela Madeira?
“Procurámos uma reacção junto de entidades e profissionais que estiveram envolvidos neste projecto, nestas duas últimas edições, para melhor perceber o que se perde com esta nega do Executivo a esta prova internacional. Da nossa parte, obviamente não nos revemos na decisão, pois é um rude golpe no esforço que se estava a fazer em posicionar a Madeira como um destino de Mar e de Vela, e que permitiria nesta fase, começar a capitalizar todo o esforço e investimento feito ao longo de dois anos, para que a Madeira, começasse a fazer parte do mapa dos eventos de expressão global, e permitisse desenvolver efectivamente o cluster do Mar, nas suas várias envolventes.
Ainda para mais, porque esta edição de 2018 representaria cerca de metade do investimento, devido ao facto de se ter investido em meios e equipamentos nas edições anteriores, que doravante já não seriam gastos, representando uma redução do investimento local em cerca de 40%, bem como de termos alinhavados apoios por via de patrocinadores que permitiriam a médio prazo ainda reduzir mais o investimento, confirmando a estratégia perspectivada, de a breve trecho se reduzir até zero o investimento público.

Havia vontade em manter o evento na Madeira por parte da OC Sports?
“O mais que possível, senão vejamos: solicitámos à OC Sports que revissem os termos relativos ao fee de entrada, ao que acederam prontamente, e aceitaram reduzir mais de 60% do fee previsto, para poderem manter a Madeira no circuito, pois no seu entender, a etapa da Madeira, tinha criado valor aos Extreme Sailing Series, pelo impacto que criou junto de velejadores, patrocinadores e principalmente pelo impacto nos media, por se realizar em um destino novo nestas andanças e que associava à competição toda uma envolvente turística e de lazer, característica nestas paragens. Assim sendo quiseram assegurar que a Madeira continuava, reduzindo o nosso fee de entrada, ao mesmo tempo que estavam a negociar com novos destinos e novos patrocinadores em valores superiores face a 2017, atestando dessa forma, que o circuito a oferecer para 2018, era mais valioso com a etapa e contributo da Madeira”.

Qual o interesse para a Madeira, de manter uma prova com estas características, em 2018?
“O interesse seria a vários níveis: primeiro, o de confirmar efectivamente a Madeira como destino onde é possível a organização de eventos de expressão mundial, os Extreme Sailing Series, são de facto um evento impactante a nível global, capaz de projectar a RAM em canais preferenciais e onde a promoção dita institucional não chega, exemplo disso, é o Media Report da prova, cujo impacto previsto de media para a edição de 2017, atingiu o número de 13,5 milhões de euros, mais 4 milhões do que no primeiro ano, tendo também permitido, através deste histórico e networking desenvolvido, ganhar um waypoint na presente edição da Volvo Ocean Race, outra competição de vela ainda mais global e conhecida, e que potenciou o Porto Santo como parte da rota da primeira regata desta prova, em Setembro passado.
Segundo, e intrinsecamente relacionado com o primeiro aspecto, o facto de a RAM estar a celebrar os 600 anos da sua descoberta, e um evento desta natureza náutica, encaixar na perfeição, no que seria a forma mais coerente e eficiente para assegurar uma cobertura global das comemorações dos 600 anos, acrescido ao facto de que tínhamos assegurado para a edição de 2018, o acesso a uma das equipas dos GC32, com a possibilidade de customizar as velas e o casco, com os logotipos dos 600 Anos de Descoberta da RAM, e ter uma projecção mundial, com um impacto absolutamente notável”.

O que espera doravante da Vela nesta vertente de eventos de impacto mundial para a Madeira?
“Neste momento, os eventos previstos, são de incomparavelmente menor notoriedade e impacto, tivemos esta oportunidade em 2015, de entrar na alta roda dos eventos de Vela que realmente capitalizam para o destino que os organiza, por sermos um destino seguro e friendly, mas neste momento já demos provas que os podemos organizar, vamos a ver se no futuro, os astros se alinham para voltarmos a ter a Madeira no mapa, de novo. Estes dois anos, permitiram também envolver largas dezenas de velejadores, entusiastas, patrocinadores, prestadores e fornecedores locais, atestando relevante impacto local, nos milhares de espectadores que assistiram ao vivo, e nos milhares que seguiram a prova pelas redes sociais e através das publicações alusivas ao evento, e que projectaram a Madeira e o Porto Santo a níveis nunca vistos”.