A Marítimo Madeira Andebol SAD reagiu hoje à decisão da Federação Portuguesa de Andebol, que puniu os verde-rubros com falta de comparência e derrota por 15-0, na partida que tinha marcada contra o FC Porto, para a penúltima jornada da fase regular do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão.
Eis o comunicado na íntegra:
“A Marítimo Madeira Andebol SAD não pode deixar de manifestar a sua posição relativamente à decisão assumida pela Federação Portuguesa de Andebol na sequência dos acontecimentos que impediram a nossa equipa de cumprir a deslocação para o encontro diante do Futebol Clube do Porto.
No entendimento da Marítimo Madeira Andebol SAD, a decisão tomada pela Federação não salvaguarda o interesse do desporto nem o bem-estar físico dos atletas, criando ainda um precedente preocupante. A interpretação agora assumida pela Federação estabelece que, em situações de comprovado impedimento de viagem, os jogos não devem ser reagendados, sendo aplicada de imediato a falta de comparência, uma posição que o Marítimo não pode aceitar nem compreender.
Importa recordar que, numa primeira abordagem ao processo, a própria Federação Portuguesa de Andebol reconheceu a razão apresentada pelo Marítimo. No entanto, esta sexta-feira, 13 de março, foi comunicada uma decisão diferente, que no entendimento do clube não defende o interesse desportivo.
Nesse sentido, a Marítimo Madeira Andebol SAD considera essencial esclarecer os factos:
• Como é do conhecimento público, o encontro frente ao Vitória Sport Clube, inicialmente agendado para 13 de dezembro, foi adiado devido às condições meteorológicas adversas que afetaram a Região Autónoma da Madeira. O jogo foi posteriormente reagendado para o dia 25 de fevereiro, em Guimarães, a contar para a 5.ª jornada do Campeonato Placard Andebol 1.
• Após essa deslocação, a comitiva regressaria à Madeira na manhã de 26 de fevereiro. Contudo, devido aos fortes ventos que afetavam o Aeroporto da Madeira Cristiano Ronaldo, o voo Lisboa–Funchal sofreu atraso e, depois de cerca de 40 minutos a sobrevoar a região na expectativa de melhoria das condições atmosféricas, foi forçado a regressar a Lisboa.
• Já em Lisboa, a equipa foi reencaminhada para outro voo na mesma noite. Esse voo também acabou por regressar a Lisboa após nova tentativa frustrada de aterragem na Madeira, levando a que a comitiva apenas chegasse novamente à capital portuguesa por volta das 2h30 do dia 27 de fevereiro.
• Entre procedimentos logísticos, recolha de bagagens, atribuição de alojamento e transporte, a equipa apenas conseguiu dar entrada no hotel pelas 04h35. Após poucas horas de descanso, regressou ao aeroporto, onde, na porta de embarque, foi informada do cancelamento do voo seguinte devido às mesmas condições meteorológicas adversas na Madeira.
• Desde as 11h00 do dia 27 de fevereiro, a Marítimo Madeira Andebol SAD manteve contacto permanente com a Federação Portuguesa de Andebol e com o Futebol Clube do Porto, procurando de forma construtiva encontrar soluções equilibradas para uma situação absolutamente excecional. Importa sublinhar que, nesse momento, milhares de passageiros se encontravam retidos nos aeroportos, com fortes constrangimentos nas comunicações e na reorganização de voos.
• A comitiva acabaria por regressar à Madeira apenas na manhã de 28 de fevereiro. O voo que permitiria a deslocação ao Porto para o encontro no Dragão partiu cerca de uma hora antes da nossa chegada à ilha, tornando materialmente impossível cumprir essa ligação.
• Foram encetadas diligências imediatas junto da companhia aérea e da agência de viagens para encontrar alternativas, mas tal revelou-se inviável. De acordo com a informação transmitida, devido ao congestionamento atmosférico no Aeroporto da Madeira Cristiano Ronaldo, não era possível realizar novas reservas com partida anterior a 5 de março.
• Importa ainda sublinhar que, caso o voo previsto para as 06h20 do dia 28 de fevereiro tivesse ocorrido dentro do horário inicialmente programado, a chegada da comitiva à Madeira teria acontecido em tempo útil para cumprir a ligação ao Porto. Assim, o incumprimento da deslocação não resultou de qualquer decisão voluntária do Marítimo, mas sim de sucessivas alterações operacionais e atrasos totalmente alheios à vontade do clube.
• A equipa do Marítimo regressou à Madeira consciente de que o jogo seria reagendado, conforme uma primeira indicação da Federação de Andebol. A opção de seguir diretamente de Lisboa para o Porto, sem regressar à Madeira, era totalmente inviável, uma vez que a não realização da ligação Funchal–Porto implicaria o cancelamento automático do voo de regresso. Numa altura em que as marcações de viagens se encontravam bloqueadas pela TAP, tal significaria que a comitiva apenas poderia regressar à Madeira depois do dia 5 de março.
Ao longo da sua história, o Marítimo nunca falhou uma deslocação aérea por decisão própria, nem deixou de receber qualquer equipa visitante na Madeira, mesmo em contextos de grande dificuldade. O clube continuará a pautar a sua atuação pelo respeito institucional, pelo cumprimento rigoroso das normas e pelo compromisso com a verdade desportiva.
À Federação Portuguesa de Andebol exige-se isenção na defesa dos interesses superiores da modalidade e do desporto, algo que, nesta situação, não aconteceu nem ficou refletido na tomada de decisão.
Face ao exposto, a Marítimo Madeira Andebol SAD irá analisar detalhadamente a decisão da Federação Portuguesa de Andebol e tomará as medidas que entender necessárias para a defesa dos interesses do clube.”