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“Chorava quando perdia”. Treinador que descobriu Ronaldo na Madeira recorda-o aos 12 anos

Data de publicação
07 Junho 2026
9:40

O diretor técnico do clube chinês de futebol Shanghai Shenhua, Leonel Pontes, destacou hoje a “mentalidade” como fator-chave para o sucesso de um futebolista, apontando Cristiano Ronaldo como um dos melhores exemplos da importância desse atributo.

“O jogador de futebol mede-se não do pescoço para baixo, mas do pescoço para cima”, disse à agência Lusa o treinador português, que trabalhou durante vários anos na formação do Sporting e participou na descoberta de alguns dos principais talentos do futebol português.

Pontes explicou que a relação com a bola, a velocidade, a capacidade física ou a compreensão do jogo são importantes para identificar jovens promissores, mas considerou que a “mentalidade” é o fator decisivo.

“Qualquer jogador tem de ter algum talento para chegar ao alto rendimento. Mas depois a questão mental é que vai fazer a diferença. É dar continuidade, desenvolver esse talento, melhorar as outras características que não são tão boas”, afirmou.

Segundo o técnico, competitividade, disciplina, consistência, capacidade de trabalho e espírito de equipa são atributos fundamentais para transformar potencial em carreira.

“Depende muito mais do jogador do que dos treinadores e do contexto do clube. Depende da perseverança, do não desistir, do acreditar”, acrescentou.

Pontes recordou o caso de José Fonte, campeão europeu por Portugal em 2016, que foi dispensado pelo Sporting e mais tarde rejeitado pelo Benfica, mas acabou por construir uma longa carreira em Inglaterra e tornar-se internacional português.

“É um caso de uma mentalidade muito forte. Foi preterido por vários treinadores, mas através do trabalho e da sua personalidade acabou por fazer uma carreira extraordinária”, afirmou.

A mesma combinação de talento e mentalidade foi identificada por Pontes quando observou pela primeira vez Cristiano Ronaldo, então com cerca de 12 anos, na Madeira.

“Mostrou logo que a relação com a bola era incrível. Muito melhor do que a dos jogadores que estavam à volta dele”, contou.

Pontes disse ter telefonado de imediato aos responsáveis do Sporting para recomendar a contratação do jovem madeirense.

“Disse-lhes que o deviam levar para Lisboa o mais rápido possível”, recordou.

Além da qualidade técnica, o treinador destacou outras características que identificou desde cedo no futuro capitão da seleção portuguesa.

“Era muito competitivo, chorava quando perdia, irritava-se com os colegas. São coisas que não são normais num miúdo daquela idade”, afirmou.

Pontes considera que essas características ajudam a explicar a longevidade de Ronaldo, que aos 41 anos continua a competir ao mais alto nível e deverá disputar o Mundial de 2026.

“O talento abre a porta. Mas a capacidade mental é o que determina quem consegue ficar lá dentro”, resumiu.

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