O Festival Raízes do Atlântico começa quinta-feira, dia 11, e decorre até sábado, no Parque de Santa Catarina, organizado pela secretaria regional de Turismo, Ambiente e Cultura.
Considerado o mais antigo festival de World Music de Portugal, o evento celebra a sua 23.ª edição com uma programação de seis concertos com acesso gratuito, que mistura tradição, contemporaneidade e diversidade musical atlântica.
Dois espetáculos estão agendados para o primeiro dia. Às 20h00, sobe ao palco ‘Entre Ilhas’, projeto que reúne músicos das ilhas da Macaronésia — Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde — numa viagem sonora pelos folclores atlânticos com uma abordagem contemporânea. O projeto deu origem ao álbum ‘Macaronésia Vol. 1’, lançado em 2025 em Gran Canária.
Às 21h30, a noite ganha outro fôlego com ‘Seara’, um concerto colaborativo criado no âmbito da Braga 25 – Capital Portuguesa da Cultura. Em palco, nomes maiores da música portuguesa como Amélia Muge, Júlio Pereira, Rão Kyao, Daniel Pereira Cristo e Manuel de Oliveira, numa proposta dirigida musicalmente por Hélder Costa.
Já na sexta-feira, dia 12, é a vez da Xarabanda mostrar ao público o trabalho de décadas de investigação e recolha do património musical madeirense. O grupo, considerado uma referência incontornável da música tradicional da ilha, atua às 20h00. A fechar a noite, a partir das 21h30, chega de Barcelona a banda El Pony Pisador — um espetáculo que mistura folk de várias paragens do mundo, desde canções de marinheiros ao iodel e ao canto gutural tuvano, com uma energia cénica e humor que prometem render o público.
O grande momento da edição fica reservado para a noite de encerramento, no dia 13 de junho. Às 21h00 atua o projeto madeirense Cordophonia, dedicado às cordas tradicionais da ilha. Mas um dos concertos mais esperados chega às 23 horas, quando Bonga e a Orquestra de Jazz do Funchal partilham o mesmo palco pela primeira vez.
O encontro entre o semba angolano do músico — figura maior da música africana de língua portuguesa, com mais de 30 álbuns editados e uma carreira marcada pela defesa da independência angolana — e a linguagem jazzística da orquestra funchalense promete um dos momentos mais marcantes da história do festival.
Para o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, o regresso do festival reafirma “a ligação da Madeira ao diálogo entre culturas atlânticas”.
“O Raízes do Atlântico tornou-se um espaço de encontro entre povos e tradições com uma herança oceânica comum”, afirma, recordando que ao longo de 22 edições e mais de 150 concertos já passaram pelo evento nomes como Cesária Évora, Elza Soares, Ivan Lins ou Rão Kyao, a par de projetos regionais como a Xarabanda ou a Banda d’Além. A edição de 2026 reflete, segundo o governante, essa vocação de cruzar geografias e gerações.
Sobre a mudança para o Parque de Santa Catarina, Eduardo Jesus considera que o espaço “oferece uma envolvência natural extraordinária, que permitirá ao público viver os concertos de forma mais imersiva”.
A programação arrancou na última sexta-feira, dia 5 de junho, com a inauguração da exposição ‘Instrumentos Musicais da Madeira’, na Placa Central da Avenida Arriaga.
Com curadoria da Associação Xarabanda, a mostra apresenta ao público o vasto património instrumental tradicional do arquipélago e estará patente até ao dia 13. Após o festival, deverá circular por vários concelhos da Região.
No início da semana, o festival abriu espaço ao debate com ‘Brinco no Terreiro’, uma tertúlia em formato talk-show conduzida pelo jornalista Duarte Rebolo e que será emitida amanhã, quarta-feira, pelas 22h15.
Músicos de territórios como a Madeira, os Açores, Portugal continental, Espanha e Escócia reuniram-se para discutir identidade cultural, memória coletiva e o papel das músicas tradicionais num mundo cada vez mais globalizado.