Feliz Ano Novo

Trazemos a esperança no peito, sempre que um ano começa. Queremos muito acreditar que agora é que vai ser, que o tempo que aí vem será um tempo bom. Queremos muito acreditar que a luz que rasga os céus noturnos da nossa cidade será capaz de romper as noites, porque um ano é muito tempo, ainda que passe depressa, e tem dias e tem noites e tem sol e invernias. E permanecemos na esperança de que a vida nos devolva a gargalhada borbulhante dos brindes e dos votos e o aconchego dos abraços dados ao som do apito dos navios que povoaram de luzes o nosso mar.

É tempo de esperança, este. Porque novo. Porque as possibilidades se estendem diante dos nossos olhos.

Em dia de Ano Novo, porém, abre-se uma qualquer coisa que, de tão nova, traz algum medo. É um pouco como a folha branca dos escritores, ou o vazio dos lugares ou o silêncio dos compositores. Assusta-nos não saber como vai ser preenchido, com que palavras, com que sonhos, com que sons. Assusta-nos não saber o que nos espera ao virar da esquina do tempo, quem percorrerá connosco os caminhos, de que modo o faremos, com que linhas teceremos os dias.

E esperamos. Nessa espera da esperança, vamos construindo a paz de cada dia, a alegria dos dias comuns, a coragem de aceitar as novidades. Talvez se acumulássemos o calor das coisas boas que temos vivido; talvez se nos fôssemos armando com aquilo que temos de melhor; talvez se nos concentrássemos no espanto... a espera talvez fossr mais fácil.

Em dia de Ano Novo, esperamos. E acreditamos. Vamos ser felizes, não vamos?

Que este ano nos traga, efetivamente, aquilo que procuramos. Que se encha da luz de que necessitamos para não termos medo do escuro. Que ele se encha de saúde, de paz, de bênçãos e de felicidade.

A todos, meus amigos, um Ano Feliz! Que ele nos traga tudo aquilo que for preciso para que a vida aconteça na sua plenitude.