Na Festa [à espera do Natal]

Estamos à espera do Natal. A Festa, porém, já começou. A cidade tem colares de luz ao pescoço e a música vai trazendo lembranças de outros tempos, de outros lugares, de outras vidas. Tem telhados de luz e de estrelas que nos obrigam a olhar para o céu. A Festa chegou com dezembro, nesta espera esperançosa do Natal.

Esperamos, sim. Esperamos a Esperança que se consubstancia na Geografia da Festa de Belém, sendo que Belém mora nas nossas casas, mora dentro de nós. Inventamos a coragem de nos pormos a caminho da luz, mesmo que, tantas vezes, o façamos no escuro (das noites, das solidões, dos medos e das dores). Arrumamos, então, os passos no chão da nossa humanidade onde sabemos que existem desertos, herodes, silêncios gritados dentro do peito.

Trata-se de uma espera ativa, de uma caminhada para dentro, da oportunidade de entender a presença oculta das coisas começadas, a beleza das coisas simples e pequenas, a compreensão do que não se vê.

Servem, então, hoje, as minhas palavras, para (me) ajudar a abrandar o ritmo deste dezembro, aproveitar esta espera, este sentido de advento que estes dias oferecem e de interromper a (minha) pressa e (me) educar para o que é verdadeiramente importante.

Reaprendemos, todos os anos, o caminho de Belém. Todos os anos, procuramos a Estrela que há de chegar e guiar o nosso olhar para dentro de nós. Todos os anos, buscamos a alegria que nos torna bem-aventurados, aplanamos as veredas dos nossos dias e aprendemos a aceitar, na inteireza imperfeita de nós, a Beleza que nos salva. Todos os anos, escutamos a Profecia de Isaías, seguimos João que nos chama à mudança e aprendemos com Maria a embalar o Projeto de Amor que - eu acho - Deus tem para nós.

Estamos na Festa. E esperamos, outra vez, mais uma vez, que o Menino tome corpo em nós.