Aquilo que todos devíamos saber

A todos os homens que ainda não sabem – que eu acredito veemente que não sejam todos, porque ainda me resta esperança na humanidade. E, no meio de tanto mal, ainda existem bons exemplos do que é ser-se homem perante uma mulher.
Sejam crianças, adolescentes, jovens, adultas ou idosas. Uma mulher é sempre uma mulher. Não importa a sua idade, a sua aparência, os traços do seu rosto. As curvas e contracurvas dos seus corpos. A estatura, as gorduras, os ossos. A cor dos seus profundos olhos, a cor do cabelo, nem a cor da sua pele. Pouca importa como se vestem, como andam na rua, como sorriem ou como choram. Nada tem a ver a forma como falam, a maneira como afastam o cabelo do rosto, muito menos aquilo que achas que as mulheres te querem dizer quando olham para ti. Muitas vezes, não quer dizer nada. E do nada muitos mal-entendidos se podem originar.

Uma mulher é sempre uma mulher. É um ser humano, tal e qual como tu. Com sentimentos, com alma, com vida. Cheia de sonhos e vontade própria. Mais livre de espírito do que de alma. Com antepassados cuja história sempre menosprezou, mas que ainda assim hoje conquistam o seu lugar no mundo a pouco e pouco. Uma mulher não é mais do que tu, que és homem. Mas também não é menos. No mundo perfeito, somos géneros iguais – com os mesmos direitos, os mesmos salários, o mesmo respeito. Mas nem toda a gente, nem a sociedade em si, exerce a lei da reciprocidade, nem do respeito ao próximo, o que por sua vez leva a que aconteçam situações extremas de abusos que por si só me repugnam. Só porque há quem se julgue superior ao outro, apenas porque a força física assim o permite.

Tu, que estás a ler isto e ainda não sabes, somos todos iguais. Na nossa essência, mesmo que o mundo não o reconheça. As mulheres que te rodeiam são como tu – feitas de carne, osso, de matéria que no fim da vida é lançada aos cosmos. Essas mulheres têm vida própria, caraterísticas que as tornam independentes – e que belo é ver uma mulher independente, livre, dona de si. Com uma personalidade que é dela e que tu tens o direito de gostar ou não gostar, mas se não gostas não insistas em mudar algo em alguém que não tem de mudar por ti. Não insistas em impor a tua força física sobre ela, nem levantes a voz com palavras bruscas. Ninguém nesta vida deve ser perfeito, até porque a perfeição não existe, mas não te estou a pedir para o seres. Pratica a empatia com a mulher que dizes amar. Com a mulher que encontras na rua a precisar de ajuda, ou até mesmo a tua mãe que não tem culpa que a vida às vezes seja repleta de momentos maus. Se ainda não sabes, mas eu quero acreditar que saibas, os momentos menos bons devem ser partilhados com quem gostas, mas nunca os faças de saco de pancada, atirando ao ar o que o destino guarda em segredo.

Tu tens uma mãe e provavelmente mais mulheres na tua família que não gostarias de ver sofrer. A mulher que dizes que amas, mas que por vezes não respeitas, é filha de alguém. Irmã de alguém. Amiga de muitos outros. Ela não é tua, nem tu dela. São seres individuais com vontades independentes um do outro. Se estão juntos é porque agregam um ao outro, não porque te sabe bem chegar a casa e começar aos gritos... ou pior.

Por favor, nunca lhe roubes a vontade de viver quando ela te diz que quer voar mais alto. Quando te esqueceres do que te faz amar as mulheres que te rodeiam, para e pensa na verdadeira essência da vida. Sem violência, sem agressões verbais. Ninguém diz que amar é fácil, e muitas vezes não é o suficiente para manter uma relação, seja ela uma paixão, o amor de uma mãe, o amor de um filho ou o amor de uma amizade… mas se for para ser é na essência do simples que reside a mais genuína forma de amor.

Escrevo estas palavras ao vento, apanha-as quem as quiser, mas que nunca se esqueça que por amor... não vale tudo, nem uma ínfima nódoa negra, muito menos uma vida toda pela frente.