O autoproclamado Presidente que (não) nos governa

A moda dos autoproclamados veio para ficar. Esta moda, apesar de parecer recente, não é, já na nossa longínqua história temos verificado muitos autoproclamados. Mais longinquamente, o Mundo foi confrontado com o “Autoproclamado Estado Islâmico”.

Recentemente, tivemos o autoproclamado Presidente da Venezuela, depois tivemos a autoproclamada República da Catalunha, ainda agora temos a autoproclamada Presidente da Bolívia… E finalmente, chegamos à nossa ilha, que não podia ficar atrás e está sempre na vanguarda do desenvolvimento, temos o autoproclamado Presidente Paulo Cafôfo com um “autoproclamado programa de governo”.

Ora pergunta-me o leitor: – Mas então agora a Região Autónoma da Madeira tem dois Presidentes?!

– Caro leitor – respondo eu – é o que temos visto. Veja-se, a semana passada discutiu-se o Programa de Governo do PPD/PSD e do CDS e, ao mesmo tempo, o dono da gata Ofélia, isto é o Cafôfo apresentou o seu “programa de Governo”.

– Como é que isso é possível? – questiona, e bem, o excelentíssimo leitor.

– Só em “democracias” avançadas e evoluídas como na Venezuela e na Bolívia é que é possível. Isto, claro, para aqueles que assim as consideram.

Ora vamos analisar a grande maioria das propostas.

– Propostas, mas há propostas? – volta a retorquir o leitor.

– Caro leitor, meu amigo, claro que há… As principais propostas do autoproclamado programa de governo do dono da Ofélia são: Ferry o ano inteiro, Hospital Novo, uma solução para o aeroporto, um novo modelo de subsídio das viagens… estava tudo prontinho a servir, isto se ganhasse o partido do Chefe Costa, agora, não sei se vão fechar a cozinha!

– Mas isso é o programa de Governo do PPD – interrompe a minha escrita o leitor.

– Caro amigo, não estou a entender a sua dúvida! – exclamo eu.

– Ora, Eduardo, se o PSD e o CDS prometeram isso, eles também têm isso no programa…

– Ah… Já percebi a sua dúvida. A diferença aqui é nos protagonistas! Ora veja… O PS do Pereira, autoproclamado líder do PS que não queria que o PS do autoproclamado presidente independente ganhasse as eleições e fez tudo o que o PSD precisava para ganhar, pois as propostas de fundo eram as mesmas. Entende?!

– Isto é tudo muito confuso… O que interessa é quem é que paga a espetada e faz uma festa à grande! – exclamará o leitor.

– Com essa é que me lixou… Então, mas não quer saber das medidas do Autoproclamado Governo Independente Socialista?

– Desde que acabaram com a festa da liberdade e começaram a fazer aquela festa de queques na Praça Amarela que aquilo perdeu interesse. Veja, qualquer dia chega um qualquer e acaba com essa brincadeira. Já diz a nossa popular música: “deixa passar esta nossa brincadeira…”

– Olhe… – observo o texto a olhar para o portátil – se calhar tem razão. É melhor ficar assim. Ficamos com um Governo e um Autoproclamado Governo que dirá que fará mais força junto da República para conseguirmos a realização das pretensões da maioria dos madeirenses. Mas aí, o natural é que o Governo do Chefe Costa nos volte a servir o prato que já nos serviam no tempo do Estado Novo e chamar-nos-á ingratos pelo tanto que têm feito por nós. E nós acharmos que não temos de agradecer o que é de obrigação. Ou seja, guarda os tachos que estavam reservados à família e não há comida para ninguém!