A Cultura da Indiferença

Os humanos são, por natureza, seres emotivos. E é essa capacidade de gerar emoção e de emocionar que os torna capazes de enfrentar as piores adversidades e de viver intensamente os melhores momentos.

Vivemos para amar e sermos amados, para rir e chorar.

É a emoção que nos faz levantar e encarar um novo dia. Se estamos abatidos, depositamos a esperança de que as coisas vão melhorar. Se acordamos bem-dispostos e de bem com a vida, estamos prontos para fazer o máximo, para dar o melhor de nós.

Infelizmente, atravessamos uma era em que se tenta, por todos os meios, apostar no oposto, numa cultura da indiferença, em que os indivíduos são vistos como meros peões, facilmente descartáveis nas relações humanas, sejam pessoais ou profissionais.

A cultura do tanto faz. Tanto faz que fiques ou que vás, tanto faz que faças bem ou não o teu trabalho, tanto faz que estejas motivado ou não. Tanto faz, porque é mais fácil 'desprezar' (será?) do que valorizar.

Tanto faz que o vizinho esteja a morrer de fome, tanto faz não teres tempo para os filhos, tanto faz não promoveres as relações familiares ou de amizade.

Tanto faz, porque bastas-te a ti próprio. Para quê valorizar os outros quando chega o 'valor' que tens em ti?

É essa indiferença que nos torna menos humanos e que dá margem e poder ao egoísmo e à ingratidão. Egoísmo porque só pensamos em nós e ingratidão porque em tudo o que alcançamos há sempre a intervenção de alguém. Não estamos sozinhos no mundo, precisamos uns dos outros.

Precisamos de chamar à atenção quando as coisas correm mal, de forma assertiva e justa, e de elogiar e motivar quando elas correm bem. Não nos podemos lembrar dos outros quando precisamos de um favor e esquecer que eles existem quando estamos na mó de cima.

Todos, independentemente da sua condição social e profissional, somos importantes e devemos ser respeitados por aquilo que somos e fazemos.

Se fizemos algo bom devemos ser reconhecidos por isso, se fizemos asneira (e todos nós as fazemos)  devemos ser alertados, e isso é diferente de rebaixar e de humilhar.

Falta-nos, muitas vezes, 'calçar os sapatos dos outros' para podermos ver com os seus olhos as nossas injustiças. Porque todos nós, com maior ou menor arrogância, as cometemos. A diferença é que alguns reconhecem o erro e tentam fazer melhor, enquanto outros continuam a passar qual Bulldozer por cima dos demais.