Dicotomias de sentido

Não há estrelas no céu, mas há naquela luz incandescente que a lua emana uma magia tempestuosa.
Não há sol a brilhar lá fora, mas há naqueles dias cinzentos uma mística que nos envolve profundamente.
Não há um rosto com uma grande expressão, mas há naqueles olhares profundos a intermitente razão da alma.
Não há nenhuma certeza nesta vida, mas há naquelas incertezas a vaga ideia de que alguma coisa nesta vida, em alguma determinada circunstância, é mais certa do que incerta.
Por isso, entenda-se a importância de ser empático.
Hoje, ontem, amanhã. E sempre. Todos os dias da nossa vida. Não sabemos quem são os outros, mas tendemos a conhecer-nos através do que achamos deles.
Que possamos nós entender a lua quando o sol baixa. O sol quando a lua adormece. O mar em dias de tempestuoso tumulto. As flores que não florescem no outono, mas que são majestosas na primavera.
Possamos nós compreender que o tempo não arranja forma de congelar na eternidade, mas que há que dar tempo ao tempo para que as coisas ganhem forma.
Sejamos todos suscetíveis a acreditar que atrás de um sorriso nem sempre pode haver felicidade, e que atrás de uma lágrima nem sempre está tristeza.
Confiemos mais na continuidade da vida, na ordem natural das coisas e, essencialmente, sejamos todos menos num mundo que quer ser demasiado “demais”.

 

Joana Gonçalves escreve
ao sábado, de 2 em 2 semanas