Uma valente surpresa

Hoje vamos falar sobre surpresas, pode ser? Na vida, existem dois tipos de pessoas: as que gostam de surpresas e as que acham que não. Brincadeiras à parte, existem mesmo pessoas que não gostam de surpresas. Já eu… sou fã. Mas, perguntam-se vocês, de que tipo de surpresas falo aqui? Das boas, das más? Das físicas, das espirituais? Por surpresa, defino eu aqui, neste momento, tudo aquilo que acontece ao nosso redor, que nos inclua de alguma forma, fora do esperado – que saia da nossa rotina.

Rever um amigo sem esperar. Gargalhar por uma piada contada numa hora fora do normal. Receber uma notícia que não se estava à espera. Pagar uma conta de última hora. Uma festa surpresa. Um abraço repentino. Uma declaração de amor, de amizade. As primeiras vezes de um bebé. Uma palavra de conforto na hora certa. Uma deceção pela qual não se esperava. Surpresas, elas, podem ser de todo o teor. Positivas. Negativas. Podem fazer-nos estremecer de alegria, ou arrepiar de tristeza. Acalentar a nossa alma ou até mesmo apertá-la um bocadinho.

Na verdade, surpresas não indiciam apenas momentos bons. Também incluem os maus. Surpresas não têm de ser boas, muito menos más. Surpresas fazem parte do nosso dia a dia, a toda a hora. Num simplório gesto, numa mera palavra. Talvez sejam elas que tornam a vida mais… entusiasmante, digamos. Não é nenhum bicho de sete cabeças, nem um mar de rosas. Mas as surpresas existem para nos lembrar, constantemente, da inconstância desta nossa vida. Pelo bem, pelo mal. Não controlamos tudo, mas saibamos nós, dentro da nossa essência, que tudo o vem, vai. E tudo o que não temos hoje, pode amanhã chegar.

E, para nós humanos, talvez seja esta a melhor surpresa com que a vida nos pode presentear: a sua inconstância. A incerteza. O inesperado. Assim, vivemos sempre na esperança de algo bom pode acontecer, aprendendo com os obstáculos que surgem pelo caminho. Pelo mal, pelo bem, que estas surpresas da vida nos surpreendam valentemente enquanto temos energia para darmos de nós o que a vida exige. Que as ondas que vão e vêm sem uma sequência exata nos tragam lições em cada ensinamento que nos dão. Pelo bem, pelo mal, aceitemos que surpresas nos fazem crescer. Às vezes, intrinsecamente, outras exteriormente, mas todas elas têm o intuito de nos proporcionar autoconhecimento. E fazer o nosso coração encher de amor quando as surpresas que nos surpreendem são mais boas do que más. Um segredo aqui entre nós: essas, cheias de boas intenções, vêm aos milhares. Basta estarmos atentos às valentes surpresas da vida. E aceitarmos todas elas.