(Des) Informação

De vez em quando surgem vídeos na Internet que mostram a dualidade entre aquilo que se partilha nas redes sociais e a realidade nua e crua. Objetivo: Lembrar que nem sempre aquilo que se mostra corresponde realmente àquilo que se faz.
Posso partilhar uma selfie com roupa de treino, mas não significa que fiz realmente exercício físico. Posso colocar dois copos de vinho sobre uma mesa, o que não quer dizer que tenha realmente companhia. Por mais absurdo que estas coisas possam parecer, elas de facto existem e surgem dessa necessidade que temos de transmitir uma ideia de que estamos bem com a vida e de procurar interação através de gostos e de comentários. De estarmos, na era digital, ‘conectados’ em permanência.
Este jogo de aparências tornou-se uma constante nos nossos dias, contrariando o ditado de que “mais vale ser do que parecer”. Infelizmente, o parecer tomou conta do nosso quotidiano, embalados pelo imediatismo e pela superficialidade das coisas.
Basta ver a informação com que somos bombardeados a toda a hora, em que muitas vezes aquilo que parece está de facto longe de ser verdadeiramente o que demonstra ser.
Mais do que nunca, as pessoas têm uma tarefa árdua de interpretar a informação que lhes chega, de distinguir o que é real do artificial, e o jornalismo a responsabilidade de se destacar de qualquer outro tipo de plataforma de comunicação.
Uma qualquer publicação numa página de ocorrências, numa rede social, formada por um grupo de cidadãos, não pode a mesma validade do que uma notícia de um ‘jornal’, seja ele no papel, na rádio ou na TV.
A triagem daquilo que se lê, que vê e que ouve é cada vez mais importante, assim como a capacidade crítica de não se deixar levar por tudo o que é dito. E é aí que se deve diferenciar o jornalismo, porque se se abandonam os princípios do rigor, do apuramento dos factos e da imparcialidade, acabamos por ter mais do mesmo.
A bem da verdade, nem é preciso mentir para distorcer cenários.  Basta dar a história incompleta, não a contextualizar, não questionar. E quando os jornalistas deixam de questionar, o jornalismo vai morrendo aos poucos.
Pode-se inventar vários ‘fait divers’, que podem distrair os menos atentos durante algum tempo, mas quando a mensagem é vazia de conteúdo, de ideias, de concretização, mais cedo ou mais tarde acaba por cansar.
A tal estratégia das aparências, em que mais vale parecer do que ser. Até ao dia em que cai o pano e descobrimos que o cenário não era bem aquele que esperávamos.