Plenitude de alma

Dizem, por aí, que para sermos verdadeiramente felizes temos de aprender a gostar de nós. A aproveitar o tempo que devemos dedicar a nós mesmos e, essencialmente, aprendermos a ser felizes com a nossa própria companhia. Apesar de soar fácil, é um estágio de alma de vida difícil de alcançar. A nossa essência como seres humanos e as regras estabelecidas pela sociedade direcionam-nos para que trabalhemos em prol de sermos seres sociais. O que falha, nesta cultura impregnada na nossa sociedade, passa pela falta de incentivo em ensinarmo-nos a nós mesmos a gostar da nossa companhia. Da pessoa interior que somos, de trabalharmos e cuidarmos do nosso psicológico.

O equilíbrio parte do interior de cada um de nós. Para sermos pessoas equilibradas, sensatas, e felizes temos de acreditar, em primeiro lugar, em nós mesmos. Afinal, se nada nesta vida é garantido, porque iremos nós depositar sonhos, esperança e expectativa em pessoas, coisas e lugares que, de um momento para o outro, podem simplesmente já não estar lá. Aliás, não me entendam mal. Socializar, amar, planear um futuro com alguém, ter um círculo social de amigos com quem podemos contar é importante – e imprescindível. Mas se não nos conseguirmos amar a nós mesmos, se não conseguirmos aproveitar os momentos de solidão, se não nos conhecermos nos nossos momentos mais frágeis e nos momentos mais fortes, que tipo de energia vamos passar aos outros?

A natureza humana lida com demasiados detalhes para que tudo o que aqui disse eu seja absolutamente verdade. Porém, é um ponto de partida. A busca pelo autoconhecimento, seja de nós mesmos, dos outros ou do mundo, é o que move o espírito humano. E só conseguimos viver com plenitude quando deixamos de projetar nos outros aquilo que queremos fazer com nós mesmos. Quando aprendemos que não precisamos de alguém para sermos felizes, quando conseguimos perceber que acrescentamos mais aos outros quando estamos bem com nós próprios. Entender que somos humanos, que podemos ser felizes sozinhos e que a nossa felicidade não depende de ninguém, é o primeiro passo para a tão sonhada plenitude de vida. É aí, neste estágio, que percebemos que podemos ser felizes sozinhos, mas temos a escolha de partilhar a nossa vida, a nossa alma, o nosso coração, com outras pessoas. É quando percebemos que estamos completos, mas que podemos agregar ainda mais felicidade, conhecimento e experiência através da partilha de vivências com as pessoas que nos rodeiam.